<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793</id><updated>2012-02-16T09:28:32.000-02:00</updated><category term='jacu'/><category term='Patudo'/><category term='antropologia'/><category term='Xavantina'/><category term='carroça'/><category term='fantasmas'/><category term='Golpe de 1964'/><category term='desterritorialização'/><category term='leitura'/><category term='guarani'/><category term='rede de parentela'/><category term='Humaitá'/><category term='bananais'/><category term='aranha'/><category term='pedrinhas'/><category term='mboi-tatá'/><category term='paranalista'/><category term='transa'/><category term='visagem'/><category term='fotografia'/><category term='galinheiro'/><category term='italianado'/><category term='corpo'/><category term='escrita'/><category term='polaquinho'/><category term='cidadania'/><category term='D.I.V.A.'/><category term='territorialização'/><category term='banana da terra'/><category term='cemitério'/><category term='italiano'/><category term='morretense'/><category term='Colônia Nova Itália'/><category term='festa de igreja'/><category term='FAB'/><category term='pelego'/><category term='radiotelegrafia'/><category term='Morretes'/><category term='fumo'/><category term='são José dos Pinhais'/><category term='Xingu'/><category term='viagem de trem'/><category term='Estrada do Cerne'/><category term='peleguismo'/><category term='charrete'/><category term='teojogatina'/><category term='dentadura'/><category term='Bateias'/><category term='quermesse'/><category term='saúde'/><category term='vitualidade'/><category term='Regime militar'/><category term='&quot;braço da direção&quot;'/><category term='sites de relacionamento'/><title type='text'>Mergulhando na Virtualidade</title><subtitle type='html'>Mergulhar na virtualidade é uma reflexão acerca deste mundo que está cada vez mais presente.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-8321538680814616203</id><published>2011-09-04T17:49:00.001-03:00</published><updated>2011-09-04T17:50:27.341-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aranha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dentadura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carroça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='charrete'/><title type='text'>O espirro e a dentadura</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Seu Vicente resolveu arrancar todos os seus dentes e colocar uma dentadura. Ele tinha que ir numa festa onde ia aparecer então precisava estar com os azulejos em ordem. E foi ao meu tio:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- Juca me arranque todos estes dentes e coloque uma dentadura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- É pouco tempo, Vicente, não dá. A gengiva mais murchar e você vai ter que fazer outra dentadura.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Isto faz tempo! Eu era um piazito pré-adolescente. Isto foi lá pela década de quarenta. Dá para sentir o drama de um tratamento odontológico numa pequena cidade do interior. A anestesia deixava a boca adormecida por todo o dia e a broca girava com o pedalar do dentista. O cérebro tremia. Literalmente.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Não teve jeito. Tio Juca teve que fazer a dentadura como o cunhado queria. Convencer cunhados não é fácil. Coitado do Vicente, Juca, você vai deixar que ele vá à festa com a boca deste jeito?&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Naqueles antanhos não havia carro. Meu pai foi o primeiro caminhoneiro, um carroceiro promovido. Durante um ano o caminhão só andava para frente; imaginavam que fosse como carroça, que não andava de ré. Até que um dia ele deu uma cotovelada numa alavanca do volante, que ate então ele não sabia a finalidade. Vai que mexer n isto ou estragar o caminhão? Ao arrancar o caminhão ele foi para trás e não para frente como se esperava. Foi um baita susto. E agora? Tenta daqui, tenta dali, e nada do caminhão ir para frente.&amp;nbsp;Até que ele teve a idéia de dar uma cotovelada com o outro cotovelo. No sentido contrário. E o caminhão começou a andar para frente. E foi assim que meu pai e os morretenses descobriram que, diferente das carroças, os caminhões andavam para frente e para trás.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Meu pai contava que virou um herói. Livrou-se até das gozações por ter medo de sapos.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Tirando este caminhão, o que havia em Morretes eram carroças, toco-duro, aranhas e charretes. Numa comparação rústica, a carroça era o caminhão e o toco-duro era a picape leve daqueles tempos. Uma carroça com duas rodas e sem molejo. A charrete era a condução de passeio. Uma carroça que aproveitou a recente tecnologia automobilística. Da época. Um eixo com duas rodas de carro com pneus, molejo, um banco confortável e eu não sei por que, a preferência era por uma eguinha ligeira. Se fosse potro era para montaria. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Mas claro que também havia muitas éguas boas de cela.&amp;nbsp;&lt;i&gt;Nonno&amp;nbsp;&lt;/i&gt;tinha uma égua que ninguém ganhava dela nas corridas de raia. E era boa de arreio na charrete.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi esta época que foi buscar a parteira quando eu nasci. Ela tinha um passo que era quase um galope. Eu ainda me lembro desta égua tordilha. Ela está nos meus lampejos de memória. Todos os dias&amp;nbsp;&lt;i&gt;nonno&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e trazia a minha mãe para trabalhar. Ela era professora.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A aranha era uma charrete com rodas de ferro. Ou seja, uma roda de madeira revestida de ferro.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Aos domingos, as carroças, os toco-duros, as aranhas e as charretes estacionavam em volta do morrinho da igreja. Todos com as suas roupas de missa. Alguns vinham a pé lá do Central, onde nasci. Eu morava no caminho do Central. Homens e mulheres vinham com as suas roupas de missa e os sapatos pendurados nos dedos. Quando chegavam às margens do valinho da química paravam, lavavam os pés e calçavam os sapatos. Seu De Rocco com a esposa&amp;nbsp;&amp;nbsp;na frente, seguidos dos filhos, noras, netos, vizinhos, etc.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Quando eu já era adolescente fui assessor de cerimônias religiosas – eu e Valdinho éramos sacristãos privilegiados (eu já escrevi a este respeito), As figuraças eram o seu José De Rocco e o Sebastião Cavagnolli. Eles eram os responsáveis, um em cada lado da nave da igreja, em entoar o cantochão&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;i&gt;Et cum spiritu tuo&lt;/i&gt;, em resposta ao &lt;i&gt;Dominus vobiscum&lt;/i&gt; entoado pelo padre Camargo. Um dia perguntei para o seu De Rocco o significado daquelas palavras.&amp;nbsp;&lt;i&gt;Você sabe que eu não sei? É alguma coisa com espírito.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;Fui aprender o significado mais tarde, no ginásio. Padre era o nosso professor de latim. Eu e Valdinho sempre tínhamos boas notas.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Eu não me esqueci de seu Vicente. A sua condução era uma aranha e ele morava na Fortaleza, um dos núcleos de colonização da Nova Itália. Seu Domingos (Don Domenico) era o capo de lá. Pai do Vicente e sogro do tio Juca. Um dia, que seu Vicente não sabia explicar se era resfriado ou por causa dos pelos do nariz, começou a espirrar. E num dos espirros, o mais forte, a dentadura voou da sua boca para baixo da roda (de ferro) da aranha. Ficou em pedaços.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E foi como tio Juca avisara...&amp;nbsp;&lt;i&gt;não lhe falei Vicente?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mas aí a gengiva já secara. Foi mais fácil fazer nova dentadura. Com menos sofrimento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-8321538680814616203?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/8321538680814616203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=8321538680814616203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/8321538680814616203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/8321538680814616203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2011/09/o-espirro-e-dentadura.html' title='O espirro e a dentadura'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-1052826600754213665</id><published>2011-04-02T02:09:00.001-03:00</published><updated>2011-04-02T02:10:15.429-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bananais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='&quot;braço da direção&quot;'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='banana da terra'/><title type='text'>A bananeira da terra e o “braço da direção”</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 18px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Morretes &amp;nbsp;já foi conhecida como a terra da cana-de-açúcar, da banana e agora do barreado. Cada fase deixou a sua história. A fase da cana-de-açúcar para a fabricação da cachaça tornou o verbete &lt;i&gt;morretiana&lt;/i&gt; um sinônimo da cachaça. Isto se deve ao Marquinhos Malucelli que tinha a sua &lt;i&gt;pinga morretiana&lt;/i&gt; com o “pau dentro”, isto é, um pedaço de gomo de cana dentro da garrafa. Era a mesma pinga numa garrafa bonita e de preço bem mais alto. Marquinho endoideceu, comentavam. Hoje se elogia o seu tino para negócios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando os Malucelli construíram a usina de açúcar, era grande o trânsito de caminhões, carroças, tratores, carregando cana. Do amanhecer ao anoitecer, durante a safra de cana. Eu fui criado na Estrada do Central onde ficava o engenho. Havia outros engenhos de pinga que também trabalhavam a todo vapor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Elias Maia era o “Rei da Banana”. Parte da banana consumida em Buenos Aires era morretense. Em Curitiba também. Vagões ferroviários saíam carregados de banana embalada para viagem marítima, exportada pelo porto de Paranaguá.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A banana também era transportada para Curitiba por via ferroviária.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os bananais ficavam nas encostas das serras. Os cachos eram transportados nas costas, por vezes por zorras, até as carroças ou aos caminhões e daí para a cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Papai tinha um caminhão e volta e meia era contratado para ir buscar banana nas roças.&amp;nbsp; Ainda me lembro de um Chevrolet ano 39 serpenteando por estradas de carroça, morros acima. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Eu tinha os meus sete, oito anos, e era seu passageiro constante. Ele se afastava e me sentava frente ao volante e falava: &lt;b&gt;leve!&lt;/b&gt; Levar era dirigir. Mas conservava o controle dos pedais da embreagem, do freio, do acelerador e o câmbio (troca de marchas). E não admitia as minhas barbeiragens. Quando cometia alguma ele gritava logo “&lt;i&gt;Porco Dio! Não sabe dirigir?&lt;/i&gt;”. Eu me afastava e ele me colocava de volta e vinha a “voz de comando”: &lt;b&gt;leve&lt;/b&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O meu pai tinha vocação para &lt;i&gt;capo&lt;/i&gt;. Que eu me lembre, dos cinco irmãos era o único que era chamado de &lt;i&gt;nonno&lt;/i&gt;. Eu, como filho mais velho, queria me transformar em &lt;i&gt;capo&lt;/i&gt;, seu herdeiro. Hoje, pelo que sei, parece-me que sou o único &lt;i&gt;nonno&lt;/i&gt; entre os meus primos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Era comum, nos carros de então, escapar o “braço da direção”, uma alavanca de ferro que liga o eixo do volante à roda, o carro fica desgovernado. Meu pai cortava “camisas de câmara de ar” e com ela enrolava o “braço da direção”. Este cuidado se devia da falta de confiança que ele adquiriu numas viagens numa roça de banana. Foi lá para os lados do Marumbi. Para lá dos Gnata. Era serra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Vinha descendo a serra quando soltou o “braço da direção”. O caminhão saiu da estrada, desceu uma barroca e parou seguro pela mata. Os ajudantes estavam em cima da carga de banana, com os pés sobre a cabine, como era costume. Dentre eles estavam meus dois tios, irmãos de minha mãe, tio Almir e tio Rubico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando o caminhão parou lá embaixo, o pessoal que estava sobre a carga foi arremessado para dentro do mato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Refeitos do susto, contava meu pai, fez a contagem do pessoal que estava sobre a carga. Estavam todos, menos tio Rubico. Rubicooooo!!!! Nada de Rubico. Será que Rubico morreu? Pegaram foices e facões de começaram a afastar o mato para encontrar o desaparecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Depois de muito trabalho, ouviu-se, baixinho, &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;to aqui!...&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; Onde? Aqui, onde? &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;aqui!... &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ele estava empoleirado, abraçado no alto uma bananeira da terra. Alta e de tronco fino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando ele foi arremessado bateu e se abraçou no alto da bananeira, acima do cacho. Como balançava, ele temia que se falasse alto a bananeira viesse a quebrar com ele lá em cima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Tiveram que cortar escoras com forquilhas para escorar a bananeira para ele descer.&lt;/span&gt;&lt;u style="font-family: 'Palatino Linotype', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-1052826600754213665?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/1052826600754213665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=1052826600754213665' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/1052826600754213665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/1052826600754213665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2011/04/bananeira-da-terra-e-o-braco-da-direcao.html' title='A bananeira da terra e o “braço da direção”'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-6766032743976632537</id><published>2011-04-01T00:45:00.000-03:00</published><updated>2011-04-01T00:45:20.918-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='peleguismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidadania'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Golpe de 1964'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Regime militar'/><title type='text'>1º de  abril de 2011</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Há 47 anos, nas primeiras horas deste mesmo dia em 1964 as tropas do General Olímpio Mourão saíram de Juiz de Fora em direção ao Rio de Janeiro. No decorrer do dia aconteceram várias coisas e no final foi consumado do golpe de 1964.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O que temos depois deste tempo? Temos este Brasil. Esta é a realidade. Uns dizem que com o golpe está pior e sem o golpe seria muito melhor. Não sei. Temos o que temos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Dizem que temos uma democracia cheia de defeitos. Democracia sem defeitos é utopia; ela é defeituosa por não é um fato, mas um processo. E este processo&amp;nbsp; nos obriga olhar para trás, não só nestes 47 anos, mas nos 66 anos desde a queda do Estado Novo em 1945, ou mesmo nos 81 anos do golpe de 30. Ou até antes. Olhar para trás para que possamos olhar o futuro sem os erros do passado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os erros são muitos e recorrentes. Ainda temos o peleguismo atuante. Desde Getúlio. Um governo com características peleguista é um governo fascista. O peleguismo foi a base do governo Lula. Ainda bem que ele soube segurar os seus pelegos. Hoje temos duas classes de políticos, ambos órfãos do regime militar : os que choram a pretensa “ilha de paz e sossego” que se pretendia passar aos cidadãos, e uma outra classe que aprendeu todos os defeitos do regime e hoje posa de vítimas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E nós, cidadãos, vítimas de um processo capenga? Teremos que tomar consciência de nossa cidadania, escapar do marcatismo “de esquerda”, do politicamente correto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;O dia 1º de abril é o dia da mentira. Proponho torná-lo o dia da consciência da cidadania.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-6766032743976632537?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/6766032743976632537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=6766032743976632537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/6766032743976632537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/6766032743976632537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2011/04/1-de-abril-de-2011.html' title='1º de  abril de 2011'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-4817491276199663351</id><published>2011-03-17T10:44:00.002-03:00</published><updated>2011-03-24T09:38:42.214-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fumo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corpo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saúde'/><title type='text'>Nós e o fumo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Entre a minha casa e a agora chamada Ponte Velha, a ponte da Vila Santo Antonio, uma casa geminada. Na &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;casa da frente morava Dona Albertina, com duas filhas, Ione, a mais velha de a Iole, mas nova e mais velha que eu. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Dona Albertina era casada com o seu Francisco, conhecido como pica-pau. O pássaro. Na casa dos fundos morava Dona Albertina, esta casada com o seu Artur, chefe dos guarda-linhas dos correios e telégrafos. Guarda-linha era aquele funcionário eu percorria as linhas telegráficas dos correios. Dona Albertina tinha um casal de filhos eu morava com ela. Nardinho, da minha idade e uma filha, já adulta, que em rolava cigarro de palha e vendia em maços de vinte cigarros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nardinho ajudava a irmã na fabricação de cigarros e roubava um maço para a gente fumar no porão dos fundos de casa da minha casa. Isabel, a “secretária” de minha mãe, um dia nos viu fumando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- Mas estes meninos fumando!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- Vou falar pra Dona Dulce. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Éramos piazitos, no máximo com 10 anos de idade. Tivemos que comprar o silêncio de Isabel. Tivemos que repartir o maço em três.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Um dia papai descobriu. Não sei como. Mas não falou nada para mamãe.&amp;nbsp; Aplicou uma chantagem irresistível: Se você fumar o pai vai para a guerra. Todos aqueles que estão lá são pais que têm filhos que fumam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A chantagem funcionou porque o meu pai foi o melhor amigo que já tive. Era aquele &lt;i&gt;bronqueiro&lt;/i&gt;, cheio de palavrões que aprendeu com nonno, mas os olhos marejavam facilmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nonna fumava cigarros de palha. Tinha até uma guilhotina de picar fumo. Nonno não fumava e ela não fumava na frente dele. Tio Tonicão fumava cigarros iguais aos da mãe e tinha hábitos parecidos com os dela, como o de esvaziar os colchões. Os colchões eram um saco cheio palha de milho e era de onde tiravam a palha para fazer os cigarros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nonna e Tio Tonicão me ensinaram a picar o fumo, enrolar a palha, mas eu não fumava. Vai que inventassem uma nova guerra!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A sociedade nos impõe vícios. Fumar era uma forma de mostrar macheza. Hoje em dia quem não bebe é &lt;i&gt;out&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Out&lt;/i&gt; era quem não fumava. Fumar era assim. E fumei até há uns vinte e cinco anos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E hoje aqui estou com uma gripe forte e o resultado do raios-X indicou que poderia ser enfisema pulmonar ou uma pneumonia. Boa notícia: era pneumonia. Notícia pouco melhor: não era pneumonia, mas uma inflamação. Mas com acompanhamento as expectativas são positivas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Não fosse o fumo, não estaria aqui. Quem hoje fuma deve pensar no futuro. Morrer, morre-se de qualquer forma, mas morrer com qualidade de vida é muito melhor do que anteceder a morte com todos aqueles sofrimentos que os males pulmonares causados pelo fumo provocam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O corpo somos nós. Ele é a nossa vida. E nós o maltratamos ao para se mostrar socialmente com bebidas, fumos, drogas. Maltratamos por questões morais, tornando-o invisível e querendo adequá-lo a padrões estéticos para satisfazer a indústria de cosméticos e de moda. Maltratamos por questões religiosas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E o fumo permeia tudo isto.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-4817491276199663351?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/4817491276199663351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=4817491276199663351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4817491276199663351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4817491276199663351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2011/03/nos-e-o-fumo.html' title='Nós e o fumo'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-7940268354273342872</id><published>2011-03-17T02:41:00.002-03:00</published><updated>2011-03-17T22:25:57.815-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colônia Nova Itália'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humaitá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='D.I.V.A.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='festa de igreja'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desterritorialização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagem de trem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Morretes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rede de parentela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jacu'/><title type='text'>O jacu do seu Sinibaldo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O jacu é uma ave de veneta. Diria, hoje, uma ave com bipolaridade, pois o seu humor varia entre uma mansidão extrema e uma ferocidade terrível. E parece ter memória excepcional, pois reconhece todas aquelas pessoas de quem não gosta e faz chamegos com aquelas pessoas que gosta. Esta variação de humor poderá até nos levar pensar que jacu também é gente, como se ouvia falar de um antigo ministro collorido a respeito de seu cãozinho. Dizia-se ser fofoca da oposição e aqui não vou além da figura de retórica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;É muito perigoso para um ádvena querer entrar em grupos de fofoca em Morretes em face de rede de parentela. Seu Sinibaldo era nosso vizinho. Era um dos membros da colônia Nova Itália, casado com&amp;nbsp; irmão de um tio e o seu sogro era irmão do marido de uma minha tia avó. Era tio primos meus e mais tarde se tornou co-sogro do meu tio, seu cunhado. E eu me tornei primo por afinidade do seu filho caçula. E dois irmãos do Seu Sinibaldo casaram com duas irmãs, filhas da minha tia avó, primas da sua esposa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Uma rede muito imbricada. Ah, não entenderam! Hoje estou meio atrapalhado. Pudera, estou num quarto de hospital tentando curar os pulmões estuporados por tabagismos ativos e passivos. Mas eu estou eufórico, pois o médico acabou de me falar que com um controle irei longe. Quando eu fico eufórico acho de contar causos de Morretes, mas a euforia também nos deixa meio atrapalhado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando falamos em algo imbricado usamos como analogia a disposição das telhas num telhado. Se mexer numa telha, três ou quatro outras saem do lugar. Se fofocar um morretense estaremos envolvendo três ou quatro outros na fofoca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Alceu Maynard de Araújo foi meu professor e depois colega de docência. Ele tinha um artigo a respeito de uma pesquisa realizada em Alagoas me que falava da D.I.V.A. (Departamento de Investigação da Vida Alheia). A D.I.V.A. que ele descrevia reunia-se numa farmácia e eu me lembrava da farmácia do Roberto França, casado com a&amp;nbsp; ilha da minha tia avó que&amp;nbsp; me referi acima. Os chefes da D.I.V.A. eram o Cilo, filho do Roberto, Seu Piero e Seu Leopoldo Vizini. Mas havia outras D.I.V.A.s em Morretes. A barbearia do Valdico era uma delas. Uma D.I.V.A. enxuta era na alfataria do Honilson Madaloso. Era a rodada da chimarrão que Honilson preparava&amp;nbsp; na reunião com seu Arlindo de Castro, seu João Cebola e seu Tone Gonçalves. Eu era um guri, mas chegava mais cedo para preparar o chimarrão, deixar a água bem chiadinha, para poder ser aceito na rodada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Não dá para contar os causos desta rodava pois correrei o perigo de não poder mais aparecer em Morretes, Apesar de eu ser o único sobrevivente do grupo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Em Humaitá, Amazonas, eu participava da D.I.V.A. local nas escadas do porto fluvial. Salu, então Prefeito, Israel, farmacêutico e presidente da Câmara, Venturinha que preparava o café. E eu, que entrei ao grupo a convite do Salu. Funcionários da Prefeitura, barqueiros, beiradeiros, pescadores, etc., todos iam contar as boas novas da cidade. Os evangelistas e Humaitá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mas a minha euforia pulmonar me fez lembrar do jacu do seu Sinibaldo. Era um homem à frente e acima da média dos seus contemporâneos. Era escritor e poeta. Espírita. O galinheiro era uma mansão galinácia. Tinha um “navio” ancorado no rio (Nhundiaquara). Na verdade uma barcaça que não podia fazer grande coisa pois não passava&amp;nbsp; na corredeiras (apelidadas de cachoeiras do rio). E entre tantas outras coisas, tinha um jacu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Eu e as minhas irmãs e eu éramos pequenos. Como todas as crianças fazíamos algumas brincadeiras típicas da idade. Uma&amp;nbsp; vez comemos um cacho de banana outro. Comíamos apertando a casca, deixando-a oca. Quando demos pela coisa havíamos comido todo o cacho. Não sei quem teve a idéia, acho que a minha irmã, logo após a mim, de encher as bananas de terra e deixar do quintal do seu Sinibaldo. Deixamos arrumadinhas, pois era muita banana para pouco espaço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando dona Italinha viu aquilo ficou apavorada. Achou que a feitiçaria contra ela. &amp;nbsp;Ela e minha mãe eram&amp;nbsp; muito amigas e ficou na frente da casa até a minha mãe chegar da escola (era professora): Dulce, fizeram um feitiço contra mim, ajude-me a rezar terço... e as duas desfiaram mil rezas até dona Italinha se acalmar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Minha mãe deve ter desconfiado daquele feitiço pois havia nos proibido de comer aquela banana, para amadurecer um pouco mais. Min há mãe achou de deixar pelas rezas e esquecer o caso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nosso divertimento era enfezar o jacu. Fazíamos isto porque ele dava mostras de ser nosso amigo. Mas era diferente com o seu Camilo e com o seu De Rocco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Seu Camilo, homem quieto e de boa paz tomava conta da sorveteria e da torrefação de café no Seu Nhozinho. Seu De Rocco, lavrador do Capituva e rezador de boa voz nas missas de domingo e nas missas solenes. Era bem falado na cidade e tentavam imitá-lo quando respondia o &lt;i&gt;Dominus Vobicus&lt;/i&gt; no meio da missa: &lt;i&gt;Et cum spiritu tuu&lt;/i&gt;. A solenidade da missa ia aos extremos quando De Rocco fazia&amp;nbsp; dupla com Sebastião Cavagnolli. A voz da dupla valia pela missa.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A cidade toda tinha o maior respeito para com o seu De Rocco, menos o jacu do seu Sinibaldo. Nós, piazitos na mais tenra idade, eramos quem socorria o seu Camilo e o seu De Rocco dos ataques do jacu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Morretes, desta época, era pavimentada com conchinhas do mar. Depois fomos saber que estas conchinhas eram sambaquis, local de sepultamento dos antigos índios da costa brasileira. Com a proibição do uso “das conchinhas” a prefeitura resolveu pavimentar as ruas com paralepípedo, mas antes de fazer isto estendeu a rede de água e de esgoto. A nossa brincadeira era correr por aquelas valetas de cerca dois metros de profundidade por menos de um metro de largura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Jazar era o responsável dos trabalhos de instalação da rede de água e de esgotos. Moço forte, recém chegado de Piraquara, ao invés de se restringir ao trabalho de feitor era o primeiro a pegar a picareta para abrir as valetas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Antes da instalação da rede de água e de esgotos as casas construíram as suas “casinhas” em cima de um buraco chamado de “fossa negra”. Era um perigo ser ferroado&amp;nbsp; por uma mosca varejeira quando se praticava o sagrado momento filosófico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O meu pai construiu não uma casinha, mas um WC, com um vaso de louça como os atuais,&amp;nbsp; com um encanamento pra despejar os dejetos no meio do rio. Ah, se os ambientalistas de hoje vivessem naquele momento! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Era uma privada moderna, só que a descarga era feita jogando água com balde. Na nossa cabeça infantil não entendia como é que jogava toda a água e ainda ficava água dentro da bacia. Papei dizia que era assim mesmo, mas para nós, crianças, havia algo errado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Seu Sinibaldo, o dono do Jacu, inovou ao colocar a privada dentro de casa. Não tinha os nossos inconvenientes de ter que sair nos dias de frios, de chuvas, à noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Vovô, pai de mamãe (meus avós maternos eram chamados de vovô e vovó e os paternos eram chamados de nonno e nonna), adorava a nossa privada. Uma privada no mundo das casinhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os senhores de então usavam uma calça com a cintura mais alta. Apesar&amp;nbsp; de haver as passadeiras para passar o cinto, costumava-se passar o cinco&amp;nbsp; por fora e mais abaixo. Quando se ia fazer as&amp;nbsp; necessidades fisiológicas desafivelava o cinco e passava no pescoço. Havia até piadas neste sentido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- Eu vi fulano no mato com o cinto no pescoço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- Meu Deus, ele se suicidou?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- Não, estava cagando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Vovô tinha este hábito. Como ele gostava tanto da nossa privada, saía feliz com o corpo aliviado e com cinto em volta do pescoço. E assoviando. E o meu avô era a terceira pessoa a que o jacu tinha marcação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O jacu não gostava do meu avô e odiava o seu assovio. Mas nunca o atacara. Até que, um dia, o jacu estava num daqueles dias (se fosse jacu fêmea diria estar de TPM), pulou em cima do meu avô. Puxou o cinto para se defender pelo lado oposto da fivela, bateu na sua cabeça provocando um “galo” (calombo resultado de uma batida). Ao fugir do jacu enroscou a sua cabeça no varal de roupas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O meu avô ficou inconformado com o ataque. Era um homem bem articulado, escrevia poesias com&lt;span style="color: black;"&gt; “&lt;span class="apple-style-span"&gt;estrofes decassílabas, camonianas, refertas (abundante, cheia) de beleza estética, com predominância da personificação ou prosopopéia&lt;/span&gt;&lt;a href="file:///E:/Jacu/O%20jacu%20do%20seu%20Sinibaldo.doc#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;”. Os se&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;us discursos lidos em solenidades. Atacado por um jacu. Este ataque foi tema de discussões que duraram alguns meses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Seu Sinibaldo ficou muito envergonhado com o que aconteceu e se desfez do jacu. Mas o meu avô não esqueceu do ataque que sofreu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;a href="file:///E:/Jacu/O%20jacu%20do%20seu%20Sinibaldo.doc#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Beto Cardoso, poeta morretense, foi quem definiu as poesias de vovô como camonianas. As poesias de Beto também eram camonianas e tinha Morretes como tema. As de vovô tinham um estilo biográfico. Os versos de Castro Alves eram&amp;nbsp; camonianos. Ver &lt;a href="http://www.revista.agulha.nom.br/@fma16.html"&gt;http://www.revista.agulha.nom.br/@fma16.html&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-7940268354273342872?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/7940268354273342872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=7940268354273342872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/7940268354273342872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/7940268354273342872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2011/03/o-jacu-do-seu-sinibaldo.html' title='O jacu do seu Sinibaldo'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-4660715152344427417</id><published>2011-02-06T23:17:00.000-02:00</published><updated>2011-02-06T23:17:44.436-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='são José dos Pinhais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='polaquinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='galinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='transa'/><title type='text'>O galinheiro e a transa</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: 18px;"&gt;Outro dia eu escrevi a respeito de festas de igreja. Escrever é prosear com lembranças de fatos da vida. E registrá-las. &amp;nbsp;Prosa puxa prosa; lembranças puxam lembranças. Escrever é montar imagens e em cada uma abrem-se janelas para outras lembranças. Como a que contarei a seguir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A casa que descrevi, geminada com a da senhoria e com o terreno com a extensão da quadra, tinha-o dividido ao meio. A primeira parte dividida em dois lotes, um para casa; a segunda parte era uma horta, um passatempo da proprietária da casa. Havia, nesse contrato de locação uma espécie de um sistema de prestações. Um casal novo, ao locar a casa, deu segurança pessoal (companhia) e financeira (sobrevivência) e recebeu de volta a atenção, quase filial. Eram duas senhoras idosas - para os padrões de então -, uma de 50 e tantos e outras de quase oitenta anos de idade. Dentre estas atenções, o acesso a horta. Era mais um acesso para passeio e admiração às verduras e legumes muito bem tratados e algumas frutas, pois todas as manhãs, quando as duas senhoras faziam as suas colheitas, traziam a “nossa parte”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nos fundos do lote da casa da senhoria havia um galinheiro. Completava a alimentação com carne e ovos. A metade da alimentação, ou talvez mais da metade, vinha do quintal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os gêneros alimentícios eram quase todos comprados nos armazéns de secos e molhados e vendidos a granel. Feijão, arroz, trigo, fubá, macarrão, erva. Parte do feijão era produzida na horta. Uma vida rural-urbana&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Ao lado da casa da senhoria havia uma casa, com uma casinha aos fundos. Parte da parede desta casinha era geminada com a parede da parte coberta do galinheiro, onde as galinhas ficavam recolhidas e onde havia os ninhos onde botavam os ovos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os donos da casa vizinha estavam sempre ausentes. Não me lembro de que os tenha visto alguma vez. E na casinha havia um quarto ocupado pelo Polaquinho, espécie de guardião da casa. Este guardião deveria ser louro, talvez de origem polonesa, mas, no Paraná (do sul) polaco, polaca, são sinônimos de louros. Esta referência está fora do departamento do preconceito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Certa noite, já passava da meia noite mas ainda não era manhã, fomos chamados pela dona da casa. Era uma daquelas noites “paradas”, sem vento, em que as folhas secas estalam alto ao serem pisadas. O céu sem nuvens, pontilhado de estrelas, permitia ver Marte, o Cruzeiro do Sul, as Três Marias e todas as constelações e estrelas identificáveis a olho nu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os olhos e a voz da dona da casa demonstravam temor: “Acho que tem ladrão roubando galinhas; elas estão inquietas”. Roubos na horta e no galinheiro afetavam a sobrevivência, sem falar de acontecer numa comunidade que até raposa em galinheiro era escândalo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Valente como todo moço que ainda não chegara à metade dos “vintes”, recém-chegado de Mato Grosso, ansioso para voltar a usar a sua winchester 44 papo amarelo trazida de lá. Vou pegar este ladrão de galinha na ponta do pau de fogo, pensei. Tal qual um John Wayne, um Tom Mix, um Alan Ladd, heróis dos seriados nos cinemas do interior antes se serem transformados em igrejas crentes. Exercitei o porta-gatilho como faziam estes heróis do bang-bang; carreguei-a e repeti a pantomima. &amp;nbsp;Colocava a Tropa de Elite nas chinelas. A juventude e o heroísmo se multiplicam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando cheguei próximo de onde o barulho inquietava as galinhas, havia silêncio. Nisto um ruído e as galinhas começaram a se alvoroçar. Com toda a coragem que aquela carabina me proporcionava, lembrei que era um sargento, ensaiei aquela voz de comando de enquadrar recrutas e melhor que as vozes de esquerda, direita, meia volta, saiu o “saia daí e rápido!”. Os sargentos pé-de-poeiras ficariam enciumados &amp;nbsp;com tal voz de comando de um sargento radiotelegrafista. Nada. Novo ruído e nova queixa das galinhas. “Saia daí! Vou contar até três. Se não sair irá fogo!” As mulheres encolhidas, quietas... Esperando começar a guerra! “UM... DOIS... TRÊS...” &amp;nbsp;PÃÃÃÃ! Um estampido seco numa noite seca! Um grito se seguiu ao tiro: “NEM AQUI PODE!...” E um tropel. Ou dois. Sei lá. A velocidade era tanta. Nem o portãozinho da entrada da casa foi aberto. Fui verificar, estava trancado. O trabuco já estava pendurado no ombro, à bandoleira. Todo herói dorme o sono dos justos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;No dia seguinte comentei com um conhecido que havia espantado um ladrão de galinha. Ele deu uma risadinha e matou a charada. Ladrão de galinha, nada! Você espantou o Polaquinho. Ou alguém que ele deixou ir trepar naquela casinha. O pessoal usa aquela pra comer a mulherada, você não sabia? A cidade toda sabia. Para o azar do Polaquinho e dos seus convidados, eu não sabia. Ninguém me avisara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Enquanto morei lá as galinhas não mais foram incomodadas nos seus sonos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-4660715152344427417?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/4660715152344427417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=4660715152344427417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4660715152344427417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4660715152344427417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2011/02/o-galinheiro-e-transa.html' title='O galinheiro e a transa'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-6900628795436085985</id><published>2011-02-06T22:51:00.000-02:00</published><updated>2011-02-06T22:51:28.537-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teojogatina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='festa de igreja'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quermesse'/><title type='text'>Uma festa de igreja</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: 18px;"&gt;Eu morei em São José dos Pinhais, hoje apelidada de cidade metropolitana da Grande Curitiba. Uma coisa boa era quando a Prefeitura limpava a valeta que cortava duas quadras defronte à Igreja Matriz para o churrasco comunitário. Eu morava a uns 100 metros do local. No dia seguinte todo mundo sentia as queimaduras nas pontas dos dedos polegar e indicador. Já pensaram estes dois dedos fora de serviço?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A cidade era pequena; se escorregasse no centro da cidade iria para nos sitiozinhos com as suas hortas bem cuidadas. Sentia-se morar no sítio e na cidade ao mesmo tempo. Um ambiente rural-urbano. Diferente de Morretes em que o rural e o urbano eram claramente delimitados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;As casas tinham, todas elas um quintal que ia até o outro lado da quadra, com as suas hortas, galinheiros e uma coberta, alguns com um compartimento fechado a guisa de depósito. Ali se armazenava a lenha, as ferramentas agrícolas de uso na horta e as sacas de serragem (pó da serra). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Havia os meninos, com carrinhos de mão, que forneciam serragem para o fogão. Colocava-se uma garrafa na boca principal do fogão e ia-se colocando a serragem em volta e socando, até completar toda a parte de queimar a lenha. Entre esta parte e a de baixo havia uma grelha de ferro que permitia a passagem da cinza para o seu depósito. Para que a serragem não escorresse por esta grelha, ela ficava sobre uma folha de papel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Depois de toda a serragem socada, tirava-se a garrafa e acendia o fogo no espaço por ela formado. O ar começava a circular forçado pela sucção de ar da chaminé. “Tinha-se fogo”, na verdade um braseiro, que permitia fazer o café da manhã e o almoço. À tarde fazia-se o mesmo para o jantar. No inverno todas as portas internas da casa eram abertas para que o fogão servisse como aquecedor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E o forno de pão! Ficava no fundo do quintal, sob um telheiro. O fogo era aceso enquanto a massa era feita, batida e deixada para crescer. No inverno o calor do fogão ajudava para acelerar o crescimento do pão, do cuque, do chineque. Dava tempo para consertar a galinha para ser assada. Uma galinha criada no quintal. Depenada com água quente, num latão sobre a chapa do fogão. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Na transgenitalização galinácea, no Paraná frango vira galinha e aqui em São Paulo a galinha vira frango. Consertar a galinha era prepará-la para assar, cozinhar, etc. Na verdade desconserta, desmancha. Ah, estes regionalismos paranaenses!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Tempo bom! Bem, o passado sempre é bom, melhor que o agora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Esta introdução é para montar a imagem para falar das festas de igreja na periferia das cidades. Estas festas de igreja são as quermesses aqui de São Paulo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;As festas de igreja festejavam o padroeiro do lugar, organizadas pelos festeiros do local. Ela era antecedida pelas novenas, cada uma dela com um “patrocinador” e comandada pelo capelão da igrejinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A festa iniciava com a missa, os foguetes, e todas as demonstrações de religiosidades. &amp;nbsp;E era quando o vigário, a que estava subordinada a capela, realizava a desobriga. Batizava e crismava as crianças, casava os ajuntados, realizava bênçãos. Tudo que precisasse de uma benção. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A quermesse, na verdade, é o bazar ou a feira beneficente, com leilão de prendas, depois das cerimônias religiosas. E é aí que se desenvolvia a teojogatina. Todos os tipos de jogos. Um dos jogos era o leilão de prendas, mas a maior atração era a roleta (não maliciem). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Girava a roleta com toda a força e ela era girando, girando, até parar em um número. Era o momento de maior emoção entre os que compravam os cartões e os que torciam para alguém. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os cerimoniais religiosos de uma festa de igreja tinham um caráter secundário. O que era importante era o congraçamento, os encontros, as fofocas. O churrasco comunitário que falei acima tinha a mesma finalidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Numa das festas havia uma galinha assada. Assada num forno a lenha. Deliciosa! Proseei com os meus botões e chegamos à conclusão que eu deveria “ganhar” aquela galinha. Estava “boludo”. Cheguei ao balcão e pedi: quero comprar a cartela inteira deste frango. A pessoa que me atendeu exclamou: &lt;i&gt;BarbaridadE! Já vendi uma!&lt;/i&gt; O paranaense acentua o "e" final e fala de forma exclamativa.&lt;i&gt; Então mE dá! &lt;/i&gt;(nesta época fui mandado - por castigo - trabalhar no Aeroporto de Afonso Pena, que fica no município de São José dos Pinhais. E o meu falar paranaense voltou). &amp;nbsp;&lt;i&gt;Ma che barbaridade! Vai ter correr a roleta!&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Ma che!&lt;/i&gt; Vício da italianada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A São José dos Pinhais é uma área de colonização italiana). &lt;i&gt;Então roda logo! Quero comer esta galinha!&lt;/i&gt; A &lt;i&gt;paúra&lt;/i&gt; começou a se avizinhar. Os meus botões me alertaram. &lt;i&gt;Se il figlio de un porco tirar a galinha?&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Porco Dio. Putano! &lt;/i&gt;O cara que comprou o bilhete foi sorteado e eu,&lt;i&gt; &lt;/i&gt;com 19 cartões, com 95 números, nas mãos e a ver navios. Barbaridade!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Provavelmente o sortudo era mais temente a Deus que eu.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif; font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-6900628795436085985?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/6900628795436085985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=6900628795436085985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/6900628795436085985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/6900628795436085985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2011/02/uma-festa-de-igreja.html' title='Uma festa de igreja'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-5079424898184373681</id><published>2010-10-21T02:43:00.002-02:00</published><updated>2010-10-21T02:45:26.538-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='visagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cemitério'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Morretes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fantasmas'/><title type='text'>A vida, a morte e as visagens.</title><content type='html'>&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Todos (ou quase todos) os povos constroem um mundo sobrenatural paralelo e complementar ao mundo natural ou físico em que vivemos. O mundo sobrenatural é construído como um modelo e uma explicação deste nosso mundo. Lá está aquele que “nos criou”, o nosso herói civilizador, que no nosso mundo ocidental chamamos de Deus. Criamos um mundo sobrenatural para que explique o que antecede e o que sucede a este nosso mundo natural.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os índios guarani, por exemplo, dizem que quando nasce uma criança ela “é governada” por um espírito telúrico. A partir do momento em que começa a compreender o mundo em sua volta, significa que uma alma divina, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ñé é&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;, a fala, começa a se manifestar, “tomando conta do corpo”. &amp;nbsp;Quando o indivíduo morre o espírito telúrico (&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Angüery)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; fica por aqui e a alma divina volta de onde veio. A sua volta, porém, é cheia de peripécias, como uma corrida de obstáculos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Há até uma encruzilhada, reedição do caminho largo e do caminho estreito da crença de algumas denominações evangélicas cristãs. O caminho largo é o caminho da “perdição” e o estreito da bem-aventurança. Há um “guarda” para dizer qual caminho deve ser tomado. É a ideia da dualidade da alma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O que interessa para nós é a crença de que o mundo natural (ou físico) é povoado por seres não naturais, habitantes de um dos inúmeros níveis do mundo sobrenatural. Aqui, a dualidade mundo natural, ou profano, e o mundo sobrenatural ou sagrado. Os seres não naturais são classificados desde os mais impuros, as &amp;nbsp;almas penadas, até os mais puros, relacionados com o paraíso, onde está Deus, foco principal das crenças. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mary Douglas, uma antropóloga britânica nos ensinou que o corpo é a metáfora da sociedade. Construímos a nossa sociedade a partir das nossas compreensões a respeito do nosso corpo. Da mesma forma, podemos dizer que o mundo natural é a metáfora do mundo sobrenatural. O que temos aqui tem lá de forma organizada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O nascimento e a morte são os pontos de contato entre o mundo natural e o mundo sobrenatural (ou sagrado), respectivamente de alegria e de tristeza. Estes momentos são conceituados e re-conceituados teologicamente pelas mais diversas denominações religiosas, como tentativas de uniformização de ideias religiosas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A morte é o nosso grande problema. Cada um de nós é uma dualidade: ser biológico e ser social. O ser biológico é o que fenece; o ser social sobrevive. Continua sendo o pai, a mãe, o filho, a filha, o historiador, etc. Segundo as nossas crenças quem sobrevive é a alma. Ou melhor, a imaterialidade sobrevive ao corpo e vai &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;viver&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; no mundo sagrado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Este mundo sobrenatural – o sagrado - é obra nossa e temos para com ele uma atitude dúbia e contraditória: ao mesmo tempo em que nos consideramos suas criaturas, agimos como se o mundo sagrado fosse nossa criatura. Criamos rezas, ritos, etc., para sujeitá-lo e moldá-lo aos nossos interesses. Criamos as nossas crenças e elegemos representantes para que nos defendam delas. Como a complexidade do mundo é muito grande e vai além do conhecimento para ordená-lo, passamos a considerar como uma manifestação do mundo sobrenatural tudo aquilo que acontece e não conhecemos. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Elegemos locais de segurança e locais abertos às manifestações sobrenaturais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;As Igrejas, que reúnem os administradores das relações (padres, pastores, etc.) entre estes dois mundos, são locais seguros. Valdinho contou que um dia foi abrir a igreja, escutou barulhos e correu para o Pe. Camargo: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;- &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;seu&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; Padre, tem fantasmas atrás do altar! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;- Ora, meu filho, fantasma não entra na casa de Deus, respondeu o Padre no seu mais alto saber teológico. Eram ratos, disseram-lhe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os espaços do lado de fora da Igreja são os espaços de livre manifestação dos fantasmas... &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os fantasmas, contam os entendidos, têm uma fisionomia esquelética. Uma vez eu vi um homem com fisionomia de fantasma. Estava defronte à porta da torre. Foi logo após de ter quase incendiado um altar. Seria castigo? Mas do lado de fora da igreja. Disseram-me depois que era um tuberculoso. Nunca mais o vi. Será que alguém viu o “fantasma” que eu vi? Ou será que eu vi algum fantasma? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os fantasmas não andam sob a luz do sol. Começam a aparecer quando o sol ultrapassa o poente. Meu pai foi muito namorador, mas deixava claro que isto era antes de conhecer a minha mãe. Tinha uma namorada no Porto de Cima (distrito de Morretes) e voltava antes da velinha aparecer na reta (de 6 km que libava o Porto com a cidade). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Numa determinada noite a eguinha estava passarinheira. Nunca fora. Era rápida e boa de raia. Não havia parelha para ela. Mas naquele dia não sentia as cócegas das esporas e começava corcovear. Até que ele viu a vela acesa seguir o seu rumo. Nem sei se ele deixou de namorar no Porto, ou mudou o horário para não andar à noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O cemitério é um local aberto e livre para as manifestações fantasmagóricas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O cemitério de Morretes foi iluminado e não havia fantasma que se atrevesse a aparecer com tantas luzes. Agora nem tanto, pois roubaram alguns holofotes. Bom para alguns fantasmas aparecerem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Valdinho contou no almoço dos adolescentes do início da década de 50, que o filho de um nosso amigo comum, foi ao Central e voltou ao anoitecer. No lusco-fusco, acabou a gasolina defronte ao Cemitério. Ao descer do carro olhou para trás viu uma fantasminha pré-adolescente dentro do cemitério, com o rosto encostado nas grades, olhando para fora. Quando ele ia iniciar a carreira, deixando carro e tudo mais para trás, notou que a menina não era fantasma, mas acompanhante de um grupo de umbandista que fazia despacho no cruzeiro. O cruzeiro é uma cruz no centro do cemitério onde as pessoas ascendem velas para as almas e para os seus santos de devoção. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O rapaz recomendou que antes de correr procurasse&amp;nbsp; observar se havia motivos para uma desabalada carreira...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mas nem todos têm tempo para isto. Foi o caso de Hamilton Faria desandou a correr de uma “visagem”. Mas também não era fantasma. Marquinhos costumava ir ao cemitério à noitinha quando chegava de Curitiba. Horário que Hamilton voltava da Usina, onde trabalhava. Em uma de suas passagens foi abordado por alguém que lhe “pediu fogo”. Era para acender as velas para poder sair do cemitério. Até então nunca correra com tanta velocidade. Era uma das brincadeiras de Marquinhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Como vemos, nem sempre há tempo para conhecer os motivos. O medo de visagens é maior que tudo. Beta que conte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Eu fui criado no início da estrada do Central, que alguns chamavam de Rua do Cemitério. As mulheres das cidades pequenas colocam a ida ao cemitério como uma das suas obrigações semanais. Para evitar a canícula morretense iam bem cedo ou à tardinha. Nós, moradores da rua, conhecíamos o horário de cada uma delas. Beta ia à tardinha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O perigo para as visitantes da tarde era não sentir o tempo passar e o zelador fechar o cemitério. Naquele tempo, as únicas luzes do cemitério eram as velas deixadas pelas beatas ou o fogo fátuo. E como os fantasmas gostam de se manifestar no escuro...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;As visitantes costumeiras tinham uma “rota de fuga”: os ferros soltos do gradil do cemitério para o caso de o zelador fechar os portões do cemitério. &amp;nbsp;Beta, ao invés de usar esta “saída” preferiu sair pela fresta deixada pela corrente que fechava o portão. Ficou presa. Já havia escurecido e com a roupa presa não conseguia se movimentar. Quando ouvia passos ou via algum vulto de passantes, pedia socorro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/TL_ETgi7tjI/AAAAAAAAADU/Vf3LDlpKuiY/s1600/MCh-2010-10-17-109-post.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/TL_ETgi7tjI/AAAAAAAAADU/Vf3LDlpKuiY/s320/MCh-2010-10-17-109-post.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- por favor, me tire daqui... Estou presa, quero sair daqui dentro!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quem ia se aventurar a soltar um fantasma? “Pernas para que te quero” era a senha para a corrida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Cansada e amedrontada, com a sua voz enfraquecida, seus apelos se confundiam como a voz das almas penadas. Todas as mães que se prezam imitam a voz de alma penada para aquietar os seus filhos. Assim, quando as pessoas ouviam Beta pedir para sair do cemitério, com a voz já enfraquecida, fugiam em desabalada carreira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Beta era tida como a cronista da cidade. Do seu posto no peitoril da janela, sabia o que acontecia em Morretes. Naquele entardecer Beta não apareceu na janela, como era seu costume. O que acontecera? Saíram à sua procura. Lá pelas nove da noite encontraram-na presa no portão Cemitério.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Por que não pediu ajuda de alguém, perguntaram-me? Eu pedia, mas os &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;lazarentos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; saíam correndo. Nem uma &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;alma de Deus&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; me ajudou a sair... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O medo das almas penadas, de fantasma é muito grande.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;Obs:&lt;/b&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;No sábado, dia 16, data do centenário de nascimento da minha mãe, fui ao cemitério e passei pela sepultura de Beta. Resolvi republicar este texto em homenagem à ela, e com ela&amp;nbsp; relembro todos os parentes, amigos e conhecidos que nos deixaram.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-5079424898184373681?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/5079424898184373681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=5079424898184373681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/5079424898184373681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/5079424898184373681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2010/10/vida-morte-e-as-visagens.html' title='A vida, a morte e as visagens.'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/TL_ETgi7tjI/AAAAAAAAADU/Vf3LDlpKuiY/s72-c/MCh-2010-10-17-109-post.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-7070487979598524272</id><published>2010-10-16T02:57:00.002-03:00</published><updated>2010-10-20T10:08:26.194-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morretense'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paranalista'/><title type='text'>Morretense paranalista</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fiquei três anos e dez meses sem vir a Morretes. Tenho um compromisso com os amigos – ou melhor, é um compromisso nosso – de formatura do ginásio de nos encontrarmos em dezembro para um almoço. Duas vezes proibido pelo trabalho e da última vez pelo médico. Mas agora com chuva ou vento, nem que chovesse canivete viria. Se minha mãe fosse viva completariam 100 anos neste 16 de outubro. No dia 14 de agosto foi o centenário de nascimento do meu pai.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Gosto de escrever sobre Morretes. Por diversas vezes chamam-me de saudosista, talvez por um menosprezo pela história, ou talvez por temor pelo tempo que passa. Falando dos que nos antecederam estamos falando de nós mesmo, da nossa matéria-prima social. Somos seres que vivem uma história.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quem vive em Morretes vê a sua história passar sem se dar conta dela, a não ser quando levam alguém à sua última morada. Eric tem me avisado: hoje fomos enterrar... enterrar alguém que viveu e teve uma história.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Morretes é o meu território. Esta gente que viveu comigo e que vive quando retorno para cá e o mundo físico em que vive constrói na memora de cada um uma imagem. Quantas vezes ao olhar o céu de São Paulo, ou o sol encoberto pelas nuvens, eu me pego “vendo” Morretes. E me sinto em Morretes quando vou a Boracéia ao olhar para as montanhas encobertas pelas nuvens e logo depois despidas delas, como se fossem as serras que me acostumei a ver desde pequeno.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vou ao cemitério e lá estão as tumbas que guardam os restos mortais do meu pai e da minha mãe, de nonno e de nonna, do meu avô e da minha avó, dos meus tios e tias, dos meus tios avós e minhas tinhas avós. Vejo neles a minha ascendência, a minha história. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nos meus retornos por vezes vejo este território como se fossem capítulos da minha história, cada capítulo um pouco diferente do anterior. Vejo pessoas que não conheço e que sou um desconhecido delas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Certa vez eu comentei num dos meus textos a “queixa” de Adaulino: onde está a minha Morretes? A Morretes dele guri, que foi a minha Morretes. A nossa Morretes está na história. De quando ir a Curitiba era uma viagem e ir a São Paulo que precisava despedir de todos os parentes e amigos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Minha irmã comentou, nesta minha chegada, de “como é bom viver em Morretes”: as pessoas organizam excursões, fazem viagens turísticas de navio e em outros lugares turísticos. Organizam-em grupos de primeira, segunda e terceira idades e logo de quarta idade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E aqui estou. Mas terei que voltar logo, pois a vida fez-se construir a vida em outras plagas. As obrigações me chamam. Eu acho que me tornei um morretense “paranalista” uma mistura de paranaense e paulista, apesar do meu ¼ de vida paranaense e ¾ de vida paulista, mas foi em Morretes que eu vi o mundo pela primeira vez.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-7070487979598524272?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/7070487979598524272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=7070487979598524272' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/7070487979598524272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/7070487979598524272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2010/10/morretense-paranalista.html' title='Morretense paranalista'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-4755324439951621744</id><published>2010-08-03T00:39:00.003-03:00</published><updated>2011-10-17T09:26:27.192-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Xingu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Xavantina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='FAB'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='guarani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='radiotelegrafia'/><title type='text'>Por que e como me tornei um antropólogo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #776655; font-family: Georgia; font-size: x-large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 19px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #776655; font-family: Georgia; font-size: x-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #776655; font-family: Georgia; font-size: x-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #776655;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12pt;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Este texto foi publicado em&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://mcherobim.multiply.com/journal/item/6/6"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;http://mcherobim.multiply.com/journal/item/6/6&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;em 29 de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;julho de 2007 às 14:39.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia;"&gt;Há 11 anos precisei escrever um memorial e nele mostrar porque eu segui a carreira na Antropologia. Claro que alinhei uma série de fatos, verdadeiros, é claro, mas talvez não suficientes para dar uma guinada na vida &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;st1:personname productid="em direção da Antropologia. Mas" w:st="on"&gt;em  direção da Antropologia. Mas&lt;/st1:personname&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia;"&gt; existiu um fato concreto, real, que me fez pensar: é isto que eu vou ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Estas lembranças voltaram à minha memória porque no início de agosto fará dois anos que o meu amigo Almir faleceu (este texto foi escrito em julho de 2007. Ver nota de rodapé), autor de uma interferência nos meus projetos de vida, em me tornar um professor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Eu era sargento radiotelegrafista da FAB, com um ano na graduação, nos meus 22 anos, trabalhava numa estação de aerovias em Xavantina, a atual Nova Xavantina. Faz tempo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Cheguei lá no dia em que os revoltosos de Aragarças fugiram para a Bolívia. As tropas do Exército acabaram com o estoque de comida. Com a saída do Exército todos os vôos ficaram proibidos na região e como era época das chuvas e nós ficamos isolados. A nossa alimentação passou a se constituir de arroz com abóbora num dia, abóbora com arroz no outro e assim, intercalando o cardápio, passamos cerca de dois meses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Quando os aviões do Correio Aéreo Nacional voltaram a voar na sua linha Rio de Janeiro – Santarém, pudemos sentir como era bom adoçar o café e salgar a comida! Abóbora? ...levei uns 10 anos sem comer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Num dos primeiros vôos do CAN (Correio Aéreo Nacional) tinha entre os seus passageiros um homem, de uns trinta anos, alto, loiro, cabelo cortado curtinho, falando inglês. Perguntei para um sargento da tripulação:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- quem é este cara?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;- um antropólogo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;- Antropólogo? O que é isto? O que faz? Quis saber.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;- sei lá!&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele vai numa aldeia de índios, faz perguntas, anota, e depois volta para a terra dele e escreve um livro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Bah! Pensei com os meus botões. É isto! Vou estudar antropologia, venho para cá, fico numa boa, não vou ter tenente, capitão, coronel, brigadeiro para me torrarem a paciência com as suas ordens... eu me dou bem com os Villas Boas, foram amigos do Lourival (um primo do meu avô, oficial do Exército e que participou da Expedição Roncador Xingu), vou ser antropólogo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Quando falei dos meus planos para alguns&amp;nbsp;&amp;nbsp;amigos eles me perguntavam o que era antropologia, o que fazia...&amp;nbsp;&amp;nbsp;ficavam sem respostas, pois eu também não sabia. Se dissesse que era para voltar para o Xingu iriam me chamar de doido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Como andei atropelando os regulamentos militares em Xavantina transferiram-me para Curitiba para trabalhar com dois suboficiais “disciplinadores”. Por minha sorte um deles foi aluno da minha mãe, em Morretes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;E aí começou a minha busca para saber onde poderia estudar Antropologia. Indicaram-me o curso de História Natural. Mas era Antropologia Física. Até então esta especialização não me dizia nada. Quando descobri o que era Antropologia Física, já aluno do curso de História Natural, senti que não era aquilo que me levaria para o Xingu. Indicaram-me, então, um curso da Universidade Católica, Sociologia, Política e Administração Pública.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Por alguma coisa que eu talvez tenha feito, a&amp;nbsp;&lt;i&gt;esquerda&lt;/i&gt;&amp;nbsp;começou a me chamar de “gorila” e a&amp;nbsp;&lt;i&gt;direita&lt;/i&gt;, após o golpe achavam que eu era comunista. Por sorte não tive tempo de ter crise de identidade e o bom senso me indicou uma transferência rápida. Voltei para São Paulo. Terminei o meu curso na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e em seguida entrei para o Pós de Antropologia na Universidade de São Paulo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Sentia que o meu Projeto estava tomando forma. E é aí que Almir entra na jogada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Almir era aluno de um dos cursos que eu fazia e era diretor do Centro de Ciências Humanas da OMEC, agora Universidade de Mogi das Cruzes. Convidou-me para lecionar e eu aceitei na hora, pois até então eu consertava TV para complementar o meu ganho na FAB. Como eu comecei a lecionar no início da abertura das instituições de ensino superior privadas, eu me enchi de aulas. Pude assim me livrar de todos os compromissos financeiros, comprar um carro e uma casa. E ir ao Xingu. Agora como antropólogo. Na escala de Xavantina, ao descer do avião, eu me lembrei do diálogo de onze anos passados. Eu era, naquele momento, um antropólogo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: normal; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&amp;nbsp;Não fui ao Xingu, mas orientei as minhas pesquisas etnológicas entre os índios Guarani do litoral paulista.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div id="ftn1" style="color: #776655; font-family: Georgia;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-4755324439951621744?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/4755324439951621744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=4755324439951621744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4755324439951621744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4755324439951621744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2010/08/por-que-e-como-me-tornei-um.html' title='Por que e como me tornei um antropólogo'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-4787667609167532091</id><published>2010-08-02T01:50:00.002-03:00</published><updated>2011-01-19T16:16:29.028-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bateias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mboi-tatá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estrada do Cerne'/><title type='text'>O mboi-tatá em Bateias</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;A minha mãe teve um AVC em 1953. Foi o ano em que terminei o ginásio. Em 1954 fui estudar em Curitiba e cursei o primeiro no do então curso científico um dos cursos secundários que havia. Com a doença da minha mãe, o pai teve que parar de viajar. Ele era caminhoneiro. Mas o caminhão era o seu meio de vida e colocou um motorista. Terminei o primeiro ano e retornei para trabalhar junto com o meu pai; podia viajar dentro do Estado do Paraná com uma carteira de habilitação provisória do o Departamento de Trânsito fornecia para&amp;nbsp; quem tivesse 17 anos. Viajei durante todo o ano de 1955 e em 1956 ingressei na Aeronáutica para fazer o serviço militar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Todas as estradas eram de terra&amp;nbsp; e o governador que entrou na época, intitulou-se o construtor de estradas, principalmente ligando o Norte do Paraná com o sul. Muitos caminhoneiros foram trabalhar no transporte de terra onde as estradas estavam sendo construídas. As empresas também terceirizavam máquinas, tratores, etc. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Conversei com o meu pai para que logo que completasse o serviço militar venderia o caminhão e adquiriria um trator de esteira para trabalhar na aberturas de estradas. Logo após terminar o período de instrução militar, de “ter passado pronto” e “jurado bandeira” houve inscrições para cursos de cabe e dentre eles um de sistemas hidráulicos. Encaixava nos meus interesses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;O curso seria realizado do Parque de Aeronáutica de São Paulo e ficamos à espera de um avião que nos traria para cá. Num final de semana resolvei ir a Morretes e esta viagem coincidiu com a chegada do avião. E eu perdi a viagem e o curso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Como havia vagas num curso de cabos radiotelegrafistas auxiliares, fiz este curso e no final também me trouxe para São Paulo. Mas esta é outra história para outro momento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;O Paraná atual é bem diferente do Paraná que deixei há 53 anos. Não só o Paraná. O mundo mudou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;O caminhão do meu pai era um caminhão tanque. Transportávamos combustível entre Paranaguá e Londrina e algumas viagens esporádicas para o Oeste do Paraná, Santa Catarina e “entregas” no Norte a partir de Londrina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;O caminho “natural” para o Norte era pela Estrada do Cerne. Saía de Curitiba por Santa Felicidade, Bateias e mais &lt;st1:metricconverter productid="104 km" w:st="on"&gt;104 km&lt;/st1:metricconverter&gt; de morros. Eram os Morros, como os motoristas tratavam esta estrada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Outro dia tentei reconstruir esta viagem através do Google Earth. Não consegui. Queria contar a história do boi-tatá que vi num pasto ao longo do restaurante que parávamos ao anoitecer. A “entrada” era uma &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;minestrone&lt;/i&gt; acompanhada com um bom naco de polenta mergulhada. Feijão chumbinho, arroz, (mais) polenta e frango completavam o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;mangiare&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Numa tarde, no lusco-fusco da noite, entrou alguém apavorado, gritando para se esconder que havia m&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;boi-tatá&lt;/i&gt; no pasto. Corri em sentido contrário de todo mundo para ver o fenômeno. Consegui ver, mas muito pouco, porque me arrastaram para dentro. Chamaram-me de louco e não havia meio de acreditarem nas aulas de ciências do Dr. Albino, professor do ginásio em Morretes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 12.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Bem, contei a história. A segunda parte, de descrever a viagem meio séculos depois, ficará para mais tarde quando passar por lá de máquina fotográfica &lt;st1:personname productid="em punho, GPS" w:st="on"&gt;em punho, GPS&lt;/st1:personname&gt; e outras “brincadeiras” que as novas tecnologias colocaram à nossa disposição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-4787667609167532091?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/4787667609167532091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=4787667609167532091' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4787667609167532091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4787667609167532091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2010/08/o-boi-tata-em-bateias.html' title='O mboi-tatá em Bateias'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-5421673952300689506</id><published>2010-08-01T11:19:00.001-03:00</published><updated>2010-08-01T11:21:19.453-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='italianado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pedrinhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leitura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='italiano'/><title type='text'>Ler e escrever. Para início de conversa</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Eu me inscrevi no Multiply há certo tempo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/User/Meus%20documentos/Blog%20-%20Gmail/Ler%20e%20escrever.%20Para%20in%C3%ADcio%20de%20conversa.doc#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;; não me lembro se convidado por alguém ou "cai" por aqui por um dos tantos caminhos que navegação da Internet nos oferece. De uns tempos para cá comecei a receber convite e informação de minha amiga Itamara.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Eu tenho dois prazeres na vida. Na verdade, tenho muitos. Mas aqui eu me restringirei a dois: ler e escrever. Não é nesta ordem, e até pode ser, pois eu não sei qual seria a ordem de preferência. Da minha preferência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ler é cômodo. Paramos e continuamos quando bem entendemos. Lemos diferentemente de acordo com o assunto. Por vezes começamos da primeira página e vamos até o final; outras vezes, como nos livros técnicos, vamos lendo aos pedaços como se fossem manuais; algumas vezes transformamos o livro numa obra de referência, pois a nossa leitura foi aquela chamada "leitura transversal". Eu acho que são estes livros&amp;nbsp;que nos marcam mais presença, sem nunca os ler como mandam os bons modos. Mas existem aqueles que nunca terminamos. Porque para nós são os melhores; terminar uma leitura de um livro é como colocá-los na (nossa) história, no passado; aqueles que nunca terminamos é porque queremos que estejam sempre no presente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O final de uma leitura é o momento formal de se colocar o livro na nossa história. Mesmo que não se confesse, ele vai partilhar da poeira das prateleiras de nossas estantes. Provoca um complexo de culpa; para aliviar esta culpa, por vezes, vou lá folheio, ou uma olhada em alguns tópicos, fecho e devolvo à prateleira. Eu faço isto com as teses, dissertações e trabalhos de término de curso que orientei ou examinei. Estes trabalhos têm um problema: o da leitura compulsória, por dever de ofício. Mas ao fazer isto, lembro de pessoas. Com alguns mantenho contato e outros sumiram. Por onde andarão? Talvez - ou na certeza - mergulhados nas suas tantas obrigações. Ali estão anotadas algumas observações, importantes no momento da argüição que o tempo se obriga em diluir a sua importância.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A Internet, com a possibilidade de se comunicar através de e-mails, site de relacionamentos do tipo do orkut, gazzag e outros, messengers, etc., e com o nosso nome nos sites de busca, fazem com que sejamos encontrados. Estes encontros vêm com algumas lembranças: lembra-se do que você falou? Puxa, aquela sua observação... E por ai vai... Temos que reconhecer que o professor é uma pessoa pública.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Aquela leitura chata, empanturrada&amp;nbsp; de expressões típicas de um &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;snobismo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; acadêmico, traz os seus bons frutos e médio ou longo prazo, não pelo que está escrito, mas pelas pessoas que estão por trás daquilo que lemos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E escrever? Quando entrei no pós o meu orientador me advertiu: você escreve em italiano, mas com palavras portuguesas. Eu? O que é isto? retrucava em pensamento, não existe brasileiro mais legítimo que eu. Até quando eu o acompanhei a Pedrinhas, um núcleo de colonização italiana, hoje município do oeste paulista. Ele não me levou para um confronto étnico, mas porque tinha idéia que eu continuasse o trabalho, e que isto fosse feito por um italiano. Na verdade um "italiano", ou&amp;nbsp; alguém&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;italianado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Esta idéia de "autenticidade brasileira" foi para o brejo. Nunca havia me sentido um italiano e me via não sendo mais o brasileiro que imaginava ser. Que diabo eu sou? Como escrevo "em italiano" se não sou italiano, mas como uso a estrutura italiana se sou brasileiro? Mandei às favas esta questão de identidade e resolvi partir do que eu era. Mas era o que, se nem eu sabia? Ah, sou isto! O negócio é soltar no "ponto morto" (posteriormente, "na banguela") e ver onde vai parar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Por que eu era &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;italianado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;? Eu nasci em Morretes, onde foi criada a primeira colônia de italianos do Paraná e eu nasci e me criei em um dos seus núcleos, o do Central. Revendo o passado, havia uma coesão étnica, aproximando-os territorialmente, apesar de os núcleos estarem separados no espaço físico, na prática religiosa, nos interesses políticos, no futebol, etc.&amp;nbsp; Portanto, não havia jeito de ser diferente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Naquele momento eu tinha duas coisas pela frente, essenciais para terminar o meu pós graduação: continuar as minhas pesquisas juntos aos guarani&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/User/Meus%20documentos/Blog%20-%20Gmail/Ler%20e%20escrever.%20Para%20in%C3%ADcio%20de%20conversa.doc#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; () e aprender a escrever, é claro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando fui aluno da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo adquiri um anuário antigo da escola. Numa de suas partes ensinava a escrever. E lá havia uma orientação: a linguagem cientifica deve ser redigida em frases curtas e na ordem direta. Eureka! É isto, pensei. E comecei a colocar &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em prática.  Partir" w:st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;em prática.&amp;nbsp; Partir&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; daí eu me tornei um leitor de manuais de redação. Numa das leituras havia um conselho: respeite o leitor: use palavras conhecidas para evitar&amp;nbsp; que o leitor leia o seu texto com um dicionário na mão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A erudição&amp;nbsp;com vocabulário rebuscado&amp;nbsp;é uma forma de usar o segredo como forma de poder; a erudição desejada é aquela que torna inteligível ao leitor comum pensamentos muito elaborados. De transmitir ao leitor emoções através da palavra escrita. Este é um treinamento sem fim, mas que satisfaz a quem escreve.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Portanto, eu gosto de escrever, ou melhor, de treinar a escrever contando e comentando coisas.&amp;nbsp;É o que pretendo fazer aqui. Mas somente poderei fazer isto com o auxílio dos meus eventuais leitores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br clear="all" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="line-height: normal;"&gt;&lt;a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/User/Meus%20documentos/Blog%20-%20Gmail/Ler%20e%20escrever.%20Para%20in%C3%ADcio%20de%20conversa.doc#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Este texto também está publicado em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://mcherobim.multiply.com/journal/item/1/1"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;http://mcherobim.multiply.com/journal/item/1/1&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; . Estou trazendo alguns textos de lá para cá.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="line-height: normal;"&gt;&lt;a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/User/Meus%20documentos/Blog%20-%20Gmail/Ler%20e%20escrever.%20Para%20in%C3%ADcio%20de%20conversa.doc#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Não errei a concordância em número. Existe uma norma de grafia de nomes indígenas, segundo a qual eles são invariáveis em gênero e em número&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;div id="ftn2" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-5421673952300689506?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/5421673952300689506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=5421673952300689506' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/5421673952300689506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/5421673952300689506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2010/08/ler-e-escrever-para-inicio-de-conversa.html' title='Ler e escrever. Para início de conversa'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-5887002789957228649</id><published>2010-06-30T22:08:00.001-03:00</published><updated>2010-06-30T22:09:47.557-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carroça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Morretes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pelego'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Patudo'/><title type='text'>Patudo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Patudo era o xodó de tio Almir, irmão da minha mãe. Era um potro heterodoxo; bom de montaria, um trote macio, mas também era um cavalo de tração. Puxava uma zorra cheia de cachos de banana – claro que morro abaixo – e não negava tempo ruim na carroça. A sua parelha tinha que ouvir um estalo de chicote para não deixar o Patudo puxar sozinho a carroça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Tio Almir era o meu padrinho de crisma. Era ele que me levava e trazia do sítio do meu avô. Algumas vezes de bicicleta, outras vezes de carroça, mas o bom mesmo era montado no Patudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Patudo e a bicicleta não eram comuns. A sela era das melhores, compradas nas melhores selarias de Curitiba. Os pelegos de coro de carneiro, coloridos, os arreios com enfeites prateados, o culote e as perneiras tornavam o centro de atração das gurias por ele passava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Patudo me fazia sonhar com uma montaria, um belo pelego, um poncho e um chapéu de aba larga. Meu pai tinha culpa no cartório, principalmente quando falava de eguinha de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;nonno&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;, campeã da raias e de trote macio quando puxava a charrete. Era ela que &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;nonno&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; colocava na charrete para levar mamãe para as suas aulas na escola e foi ela que trouxe Dona Margarida, a parteira, quando nasci. “&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Porco Dio&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;, guardar o cavalo onde, no seu quarto?” foi a resposta que recebi. Mas ganhei uma bicicleta. Foi a minha montaria. Levei um susto quando ele me mostrou a bicicleta na carroceria do caminhão, ao chegar de Curitiba.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A heterodoxia de Patudo provocava algumas surpresas. Claro que os meus tios já conheciam as manias dele, mas muitas vezes fugiam do controle. “Chegou a carroça dos Serôas...” comentava-se quando chegavam na cidade, tantas foram as vezes que a carroça disparou pela cidade. Na verdade era Patudo que iniciava a disparada. Era a segunda maior distração em Morretes. A primeira era quando fugia bois na cidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Era um misto de alegria (movimentava a cidade) e pavor (dois cavalos em disparada e descontrolados, puxando uma carroça com aros de metal). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Sempre das disparadas depois de acontecidas. Até que um dia fui passageiro da carroça em disparada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Meu avô e meus tios resolveram fazer carvão. O sítio, no Pitinga, era rico em matéria-prima e o dinheiro do carvão financiava a abertura das roças de banana. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O meu avô era engenhoso; leu revistas, livros e não sei mais o quê, e descobriu projetos de forno de carvão. Naquele tempo não havia Internet e muito menos o Google. Nem TV. O primeiro rádio que chegou ao Pitinga foi montado por tio Almir, tarefa de um curso feito por correspondência pela National School. Muito chique! Era uma escola por correspondência na Califórnia, EUA. O curso era em português. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Como não havia luz no sítio, ele ia soldar em casa, na cidade. Mas a luz, fornecida pelo engenho da cachaça do Central era tão fraca que precisava ser auxiliada por um lampião. Não esquentava o ferro. Meu pai arrumou um maçarico e um ferro de solda pequeno que era utilizado para soldar radiador de carro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Depois eu conto da luz para ele poder carregar a bateria para ligar o rádio. Toda esta peripécia permitia que a minha avó e o meu avô acompanhassem as aventuras e desventuras de Albetinho Limonta, Mãe Dolores, etc., da novela &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O Direito de Nascer&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; pela rádio Nacional do Rio de Janeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Bem, depois de estudar os projetos, desenhou o seu e chamou Zebedeu, &amp;nbsp;o Bedeu, casado com Maria da Luz. Bedeu era lavrador, pedreiro e carpinteiro. Construía casas de madeira e de tijolos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O forno era redondo e tinha uns &lt;/span&gt;&lt;st1:metricconverter productid="15 metros" w:st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;15 metros&lt;/span&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; de diâmetro. Uma fornada fornecia cerca de 100 sacas de carvão e demora uns 15 dias para ficar pronto. Era um carvão muito bom e havia uma boa freguesia. Seu Lourencinho, dono de uma ferraria, era um deles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Meus tios não gostavam que eu andasse com eles quando traziam carvão porque a poeira sujava muito. Para se ter uma idéia, em 1942 o meu pai foi buscar dois caminhões no Rio de Janeiro. Era época da guerra e a gasolina era racionada e os carros eram movidos a gasogênio. A viagem Morretes - Rio de Janeiro – Morretes demorou uns três meses. Ele contava que na volta hospedou-se num hotel &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo. Tomou" w:st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;em  São Paulo. Tomou&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; um banho e saiu com o outro motorista para fazer uma refeição. Ao retornar o porteiro não queria dar as chaves dos quartos, pois ali estavam hospedados “dois senhores de cor”. Não, eram eles antes de tomar banho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Eu fui com eles no seu Lourencinho, pois era avô de Valdinho, meu amigo de infância. Era hora do almoço. Entregue o carvão subi na carroça com os meus tios e saíram em direção de casa para almoçar. Patudo assustou-se com alguma coisa&amp;nbsp; - certa vez disseram-me aos meus que ele poderia ser vidente e era assustado por algum espírito – e começou&amp;nbsp; a correr.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Na pracinha do paredão virou à esquerda, passou defronte a telefônica e na esquina da Farmácia do Roberto França entrou na rua XV quase &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em duas rodas. Os" w:st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;em duas rodas. Os&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; dois cavalos bem ferrados e o aro de metal das rodas da carroça faziam um estardalhaço nos paralepípedos da rua XV. Tio Almir, agarrado nas rédeas gritando Óóóóóó, pára Patudo!!!... E Patudo mais corria. E o pessoal nas calçadas gritava “cuidado que é a carroça do Serôas que voltou a disparar!” Seguiu toda a rua XV. Na esquina do Seu Salomão&amp;nbsp; viu à direita e na esquina seguinte, defronte a casa do Bôrtolo virou à direita e pegou a rua da Prefeitura, virou na rua das Oficinas, voltou a entrar na rua XV,&amp;nbsp; passou pela pracinha do paredão e novamente pela ferraria do seu Lourencinho, costeou o rio, entrou na rua do hotel, defronte à Igreja Matriz, passou por trás do grupo, passou pela rua do Centro Espírita e os cavalos já estavam suando. Tio Almir rouco de tanto gritar e tio Rubico ficou no meio do caminho. E a cidade em polvorosa. Fazia tempo que não fugia boi na descarga, na reta do Porto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O espetáculo era como a correria das velhas diligências e carroções dos seriados do Velho Oeste, que passavam no cinema do Nhozinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Minha mãe viu tio Rubico, todo sujo de carvão, perguntou por mim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- Está com o Mimo (apelido de tio Almir) na carroça! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- Ele está bem, não está machucado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;- Não sei, acho que não. Nem sei onde estão...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando a carroça começou a correr eu caí no assoalho dela, misturado com o resto de carvão, e não conseguia levantar com os saltos que a carroça dava. Quando os cavalos acalmaram pude sentar no banco, ao lado de tio Almir e voltar para casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Além da sujeira pedi um pé da “loirinha” (uma sandália de sola de pneu, fabricação e Ewaldo Zilli). E por uma semana saía carvão dos meus ouvidos e das minhas narinas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-5887002789957228649?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/5887002789957228649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=5887002789957228649' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/5887002789957228649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/5887002789957228649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2010/06/patudo.html' title='Patudo'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-6673948285981522210</id><published>2010-01-31T23:49:00.001-02:00</published><updated>2010-06-30T22:10:54.609-03:00</updated><title type='text'>Tentando a recomeçar a escrever</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Não sei se é preguiça ou falta de tempo. Ou muito trabalho. Pressão alta e remédios para entrar nos conformes; glicemia alta e remédios para entrar nos conformes. Tirar um pedaço e colocar um enxerto para ver se dará bons frutos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; E parar de trabalhar é como cabeça d’água no Nhundiaquara: se não caprichar no varejão, o bote descerá às cambalhotas.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; Em &lt;/span&gt;&lt;st1:metricconverter productid="2009 a" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;2009 a&lt;/span&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; família perdeu Luciana. Que perda! A perda foi muito maior que a perda da família; também foi uma perda para o teatro do Paraná.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; Também perdi Odith. Minha amiga de infância e minha fonte de informações sobre Morretes e a sua gente.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E, além disto, o Multiply não aceita os meus caracteres acentuados. Mas se der um clique no título irá à página e lerá o artigo direitinho, como foi escrito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quem quiser palpitar para me ajudar dê uma chegadinha em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://desterritorializacao.blogspot.com/2010/01/nos-e-o-nosso-avatar.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;http://desterritorializacao.blogspot.com/2010/01/nos-e-o-nosso-avatar.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;. Comecei a falar do avatar para poder caminhar  no mundo da virtualidade pelo olhar da desterritoriazação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Esta história do avatar vai me levar a discutir a questão do corpo. Outro dia uma minha amiga, artista plástica, falou-me algo que me fez matutar: as estátuas de mulheres gregas eram formas masculinas de bunda e peitos. A mulher seria uma projeção do homem. Será que tem relação com aquela história de Eva que nasceu de uma costela do homem? Ou que a mulher seria um homem invertido? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Esta aproximação do mundo cristão com a Grécia antiga vai muito além das escolas de pensamentos que herdamos dos gregos; os “construtores” do cristianismo eram judeus Helênicos. Já li alhures que o mito de Adão e de Eva foi inspirado no mito da Caixa de Pandora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Eu seu empacar pelo que me desencalhem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Para que o ano passe mais rápido voltarei aos meus trabalhos de campo entre os guaranis do litoral. Tenho um projeto que está parado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Esta é a minha programação para este ano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Um feliz &lt;/span&gt;&lt;st1:metricconverter productid="2010 a" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;2010  a&lt;/span&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; todos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-6673948285981522210?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/6673948285981522210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=6673948285981522210' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/6673948285981522210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/6673948285981522210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2010/01/tentando-recomecar-escrever.html' title='Tentando a recomeçar a escrever'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-2659012767822734428</id><published>2010-01-31T22:58:00.002-02:00</published><updated>2010-06-30T22:13:49.950-03:00</updated><title type='text'>Meus "dante Causa" paternos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Se Luigia Doff Sotta Cherobim fosse viva, ontem (30/01) teria completado 133 anos. Nasceu &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em Imer, Prov￭ncia" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;em Imer, Província&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; de Trento, Itália, e faleceu em Morretes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Se também fosse vivo, Fiorello Guillermo Cherobim teria completado 137 anos no dia 10 de janeiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;São os meus &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;dante causa&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; do lado paterno. Tiveram cinco filhos, netos, bisnetos, trinetos e entre ascendentes diretos e afins há uma descendência que passa da centena e lhes permite a eternidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Foi um sábado de saudades. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-2659012767822734428?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/2659012767822734428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=2659012767822734428' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2659012767822734428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2659012767822734428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2010/01/meus-dante-causa-paternos.html' title='Meus &quot;dante Causa&quot; paternos'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-6830574487670710644</id><published>2009-12-21T18:35:00.001-02:00</published><updated>2010-07-01T09:50:06.841-03:00</updated><title type='text'>Morretes como ela mesma</title><content type='html'>&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os morretenses da minha época devem estar lembrados dos conflitos e das disputas com os antoninenses que eclodiam no futebol quando as equipes das duas cidades jogavam. Os juízes de futebol que apitavam as partidas dos times das duas cidades já vinham psicologicamente preparados a deixar o campo às disparadas para não apanhar por marcar faltas sempre tidas como proteção ao time adversário. Os antoninenses eram chamados de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;pés de anjo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; porque, diziam, tinham o hábito de usar tênis. Em contrapartida, diziam que os morretenses andavam de tamanco. Antonina tinha porto de mar, as Casas Pernambucanas, uma rádio, mas dependiam de baldeação de trem em Morretes. Os moradores de uma cidade sempre consideravam os da outra como os &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;outros&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;, os diferentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-top: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mas o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;outro&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; nem sempre é o diferente. Quando fui fazer o alistamento para o serviço militar na &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Base Aérea,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; avisaram-me que não estavam aceitando soldados de Morretes, de Antonina e de Paranaguá porque eram “puladores” (faltavam ao expediente, saíam escondidos, chegavam atrasados...) e não podiam ficar um final de semana fora do litoral. Para os curitibanos, todos os &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;pirimbus&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; eram iguais; mas as diferencias começavam surgir quando tomavam o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;misto&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; (o trem da tarde, com vagões de carga e de passageiros) para descer a serra. E ficavam mais evidentes durante as tentativas de conquistar as meninas de Piraquara (por sinal muito bonitas!).&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-top: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Estas relações conflituosas são rotineiras quando pessoas pertencentes a diferentes grupos (de países, Estados, cidades, times de futebol, escolas de samba, etc.) se encontram. Estas diferenças também aparecem dentro de grupos menores. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-top: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Continuando com o exemplo de Morretes, o riozinho (“rio da Fábrica”) que corta a cidade, dividia-a em duas metades, a do Operário e a do Cruzeiro (novamente o futebol!); o lado do Operário era PSD e o do Cruzeiro UDN. O “pedaço” do PTB (que agrupava os ferroviários) era do outro lado dos trilhos da Estrada de Ferro. Esta rivalidade dividia amigos e membros de família: Valdinho e os filhos da Chiquita moravam do lado do Operário, mas eram cruzeiristas; Divar, cruzeirista até hoje, é sobrinho de Valdico (irmão de Chiquita), operarista até a alma que hoje mora “do lado do Cruzeiro”. Corta cabelos na barbearia de Divar. Havia os que mudavam de lado. Nenê Scremin pertencia do lado do Operário, mas começou a jogar no Cruzeiro. Tanto fizeram que o trouxeram de volta. Evaldo Zilli sempre viveu do lado do Cruzeiro, mas foi “levado” para o Operário. Benedito Rolha, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;seu&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; Roberto Lopes e filhos eram operaristas &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;roxos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; que moravam do lado do Cruzeiro. Lauro Lopes, filho de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;seu &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Roberto, foi jogador do Cruzeiro e depois passou para o Operário. Os que mudavam de time eram trânsfugas para os antigos companheiros e motivos de elogios para os do novo time.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-top: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;As situações descritas acima indicam que ser igual ou ser diferente é uma questão de situações e de interesses de momento. Em Curitiba (e até pegar o trem), morretenses e antoninenses eram todos iguais (“puladores”, por exemplo); em Morretes eram todos iguais frente aos antoninenses, mas se diferenciavam quando prevaleciam assuntos locais. Entra, aí, o conceito de gente. Gente somos nós; os outros não são gente. O que nos torna gente, então, é sermos iguais. Claro que isto tem gradações. Se estudarmos a história das famílias no Brasil, aprendemos que alguém para ser gente teria que se agregar a uma família, tornando-se “gente da família...” Não se agregando – e, portanto não sendo gente – perdia até o direito à vida. Os grupos tribais sempre se denominam como gente. Se for de outro grupo não será gente. Se trouxermos o ontem para o hoje e o que for indígena para nossa sociedade, podemos citar os exemplos das torcidas uniformizadas em que o simples vestir uma camisa de time adversário será motivo para “deixar de ser gente”.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-top: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nós, de Morretes (nascidos, adotados, etc. pela cidade), somos gente de Morretes. Se assim somos, é porque temos interesses coincidentes, visões de mundo semelhantes (quem vê diferenças entre nós, somos nós mesmos), e, portanto características comportamentais similares. Esta identificação em ser “gente de...” é porque nascemos no seio de um grupo, ou uma comunidade, onde aprendemos a ser um de seus membros. Há, neste lugar geográfico em que nascemos uma população (um ambiente social) e uma paisagem (um ambiente físico, com um tipo de topografia, de solo para agricultura, de comércio, de meios de comunicações, tipos de comida – como o barreado). A interação destes dois elementos proporcionará uma característica especial aos seus moradores, à sua arquitetura, às suas atividades econômicas, um modelo de poder político, etc. Teremos, então, a partir destas características dizer que Morretes é assim e desta forma Antonina é diferente porque existem outras características que colaboraram em sua formação histórica. Apesar de muito próximas. Em outras palavras, em cada uma das cidades existem maneiras de agir, de sentir e de pensar apropriadas.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-top: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Estas maneiras de agir, de sentir e de pensar são uma forma simplificada do que os antropólogos chamam de cultura. Existem aquelas maneiras genéricas que chamamos de brasileiras e outras, ainda mais genéricas, que chamamos de ocidentais. Cultura brasileira e cultura ocidental. Se por um lado estas maneiras de agir, de sentir e de pensar podem se tornar cada vez mais genéricas, também podem se tornar mais específicas, podendo chamá-las de subexpressões culturais. O Paraná enquanto sociedade representa uma subexpressão da cultura brasileira, mas também pode ser considerado como uma subexpressão cultural do sul brasileiro. Mas também pode ser classificado segundo diferentes regiões, os chamados Paraná do sul, Paraná do norte, oeste do Paraná, e assim por diante. Qualquer divisão cultural que se queira fazer será válida porque nenhuma das regiões selecionadas é homogênea. Morretes poderá ser classificada como uma destas especializações. E é isto, então, que nos torna “gente de...” Nós fomos “construídos” pelo nosso grupo social e é isto que nos torna pessoas.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-top: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Se fomos socialmente “construídos”, esta “construção” obedeceu a um modelo sociocultural, econômico e político de onde fomos criados e educados. Nós, com as nossas idiossincrasias, denunciamos esta nossa socialização (o nome técnico daquilo que dissemos na frase anterior). Nós seremos reconhecidos (identificados) como um participante de determinado grupo. A nossa identidade foi construída desta forma. Só que a nossa identidade tem o sentido de mostrar em que grupo fomos socializado. A identidade de Morretes é a síntese das identidades apresentadas pelos morretenses. Claro que, quando fora de Morretes esta identidade de morretense em Morretes não terá significado porque agora todos são morretenses, e portanto “iguais”.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-top: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Falei de cultura enquanto conceito antropológico. O significado é amplo com o sentido de cultivo, seja na agricultura, seja no saber. A pessoa que estudou ou que lê muito, que “sabe das coisas”, é reconhecida como uma pessoa de cultura. Ela cultivou um saber. Um país, uma comunidade, também podem cultivar e conservar o saber de seus membros através de livros, bibliotecas, museus, monumentos, etc. Cada um de nós somos partes da (e de uma) história e o cultivo do saber é a preservação da memória desta história. E assim poderemos saber e dizer o quê e quem somos. Parte de minha história, e, portanto de minha identidade, está em Morretes. Se não preservar a memória desta identidade, perderei as minhas raízes. Podemos – e devemos – dizer o mesmo para com uma comunidade (ou cidade).&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-top: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando passo por São Sebastião sinto uma saudade imensa de minha Morretes; quando vejo fotos de Parati lembro logo de Antonina. Estas cidades, de idades aproximadas, apresentam características semelhantes: as suas casas, as suas ruas e a disposição arquitetônica, seguiram um modelo cultural do momento histórico em que foram construídas. Por trás disto está o saber daquele momento, a disposição segundo as hierarquias social, política e econômica, um momento histórico congelado naquelas obras construídas pelo homem. É desta forma que vemos Morretes. Esta é a sua identidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mauro Cherobim – São Paulo – jul/1997&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(Publicado originalmente em: &lt;/span&gt;&lt;u&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Morretes como ela mesma&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Jornal do Leste&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;. Curitiba: outubro de 1997, p.08 (Opinião))&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 5.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-6830574487670710644?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/6830574487670710644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=6830574487670710644' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/6830574487670710644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/6830574487670710644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2009/12/morretes-como-ela-mesma.html' title='Morretes como ela mesma'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-2909500892779577995</id><published>2009-09-10T11:16:00.000-03:00</published><updated>2009-09-10T11:18:05.883-03:00</updated><title type='text'>O que é liberdade?</title><content type='html'>&lt;meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CUser%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Bookman Old Style"; 	panose-1:2 5 6 4 5 5 5 2 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:647 0 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	line-height:150%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Bookman Old Style"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O que é liberdade?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Escrevi este texto há algum tempo. Este texto foi lembrado por uma amiga e postou em um tópico de uma comunidade do Orkut. Se serviu para a reflexão lá, talvez sirva aqui. E por isto compartilho com os leitores deste blog.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A liberdade não é só sair de trás das grades. Esta é a liberdade física. A verdadeira liberdade é poder ser, poder pensar, poder falar. É deixar falar e deixar pensar. A verdadeira liberdade é aceitar o outro, o diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade não é dizer eu sou livre; a verdadeira liberdade é ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira liberdade não ter a liberdade de ser submisso ao pseudo legalismo; ter liberdade é dizer não ao autoritarismo e enfrentá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter liberdade é poder olhar nos olhos dos outros e fazer com que os seus descendentes se orgulhem de você, inclusive pelos seus erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser livre é ser ético. É respeitar. Não é vestir máscaras para praticar chacotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente foi presa durante a ditadura e não aprendeu a ser livre; tornou-se simplesmente liberta. Ser liberto não é ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil ser livre. Pouquíssimas pessoas são livres.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-2909500892779577995?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/2909500892779577995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=2909500892779577995' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2909500892779577995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2909500892779577995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2009/09/o-que-e-liberdade.html' title='O que é liberdade?'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-2400168204922397617</id><published>2009-08-19T17:17:00.000-03:00</published><updated>2009-08-19T17:38:22.820-03:00</updated><title type='text'>Ainda o assédio religioso</title><content type='html'>Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk3007200922.htm. Acesso em 19/08/2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;                                                                                                                                                        30 de julho de 2009&lt;/span&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/images/esporte.gif" hspace="10" /&gt;  &lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" width="600"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="100"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td align="right"&gt;&lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/images/espbar.gif" width="500" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;  &lt;table width="500"&gt; &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="100"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="400"&gt; &lt;!--NOTICIA--&gt; &lt;!--DATA:30/07/2009--&gt; &lt;!--TITULO:Juca Kfouri: Deixem Jesus em paz    --&gt; &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk3007200921.htm"&gt;Texto Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk3007200923.htm"&gt;Próximo Texto&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/inde30072009.htm"&gt;Índice&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 128);font-size:1px;" &gt;JUCA KFOURI&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Deixem Jesus em paz &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;  &lt;table width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr size="2" noshade="noshade"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr size="2" noshade="noshade"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; MEU PAI , na primeira vez em  que me ouviu dizer que eu  era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: "Você não tem cultura para  se dizer ateu", sentenciou.&lt;br /&gt;Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler "Em que Creem os que  Não Creem", uma troca de cartas  entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil  pela editora Record.&lt;br /&gt;De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.&lt;br /&gt;Pois o embate entre Eco e Martini,  principalmente pelos argumentos  do brilhante cardeal milanês, não é  coisa para qualquer um, tamanha a  profundidade filosófica e teológica  do religioso. Dele entendi, se tanto,  uns 10%. E olhe lá.&lt;br /&gt;Eco, não menos brilhante, é mais  fácil de entender em seu ateísmo.&lt;br /&gt;Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.&lt;br /&gt;E negar o papel de resistência e de  vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho,  o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer  pequenas provocações, com todo  respeito.&lt;br /&gt;Respeito que preservo, apesar de,  e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome  em vão de quem nada tem a ver com  futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo,  está no segundo mandamento das  leis de Deus.&lt;br /&gt;E como o santo nome anda sendo  usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão  Lúcio, passando por pretendentes a  ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos,  como Roberto Brum.&lt;br /&gt;Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes, como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial. Ora, há limites para tudo.&lt;br /&gt;É um tal de jogador comemorar  gol olhando e apontando para o céu  como se tivesse alguém lá em cima  responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam  olhar também para o alto e fazer um  gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos...&lt;br /&gt;Ora bolas!&lt;br /&gt;Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais  apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão  inadmissível e irritante.&lt;br /&gt;Não mesmo é à toa que Deus prefere os ateus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="mailto:blogdojuca@uol.com.br"&gt;blogdojuca@uol.com.br&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-2400168204922397617?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/2400168204922397617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=2400168204922397617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2400168204922397617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2400168204922397617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2009/08/disponivel-em-httpwww1.html' title='Ainda o assédio religioso'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-1004826231061461432</id><published>2009-08-04T00:17:00.000-03:00</published><updated>2009-08-04T00:20:32.478-03:00</updated><title type='text'>Luciana</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CUser%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt; 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Um pedaço de vida. Uma experiência que todos passamos em face da sucessão de vidas que vimos findar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Este pedaço de vida que vai junto com aquele morreu não é algo que se esvai, mas uma semente que permitirá a sobrevivência de quem desapareceu fisicamente. A lembrança que fica entre nós é o que aquela representou a todos nós enquanto viveu. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É será assim que Luciana permanecerá entre nós.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu nem me lembro há quanto tempo Aluizio e Luciana casaram. Lembro-me ser bem criança. Lembro-me da parentela subindo a serra, mas nem todos se aventurando em face das dificuldades de vencer a distância entre Morretes e Curitiba. E as “tias” começaram a perguntar quem era aquela tedesca com jeitão italianado, falando e rindo alto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sempre brinquei que Aluizio e Luciana saíam para a balada eu me transforma &lt;st1:personname productid="em baby-sitter da Luiza" st="on"&gt;em &lt;i style=""&gt;baby-sitter&lt;/i&gt; da Luiza&lt;/st1:personname&gt; e depois da Luiza e do Neto, os seus dois filhos mais velhos. Depois veio uma seqüência para disputar com tio Jango. Não alcançou, mas chegou perto. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Falar de Luciana é falar de Aluízio e vice versa. Dois primos mais que primos, dois irmãos mais velhos. Quanta coisa teria que contar destes dois e são estas lembranças que farão com que Luciana permaneça presente entre nós que ficamos por aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Luciana tinha muita admiração pela minha mãe. Em 1996 uma escola de Morretes recebeu o nome da minha mãe e as minhas irmãs pediram que eu escrevesse um texto e no dia da cerimônia eu teria que ler o texto. Achei que não conseguiria. Pedi para ela que lesse o texto. Ou melhor, que chorasse por mim. Ela chorou por mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Seria muito bom se pudéssemos retroceder no tempo para reviver os momentos bons que vivemos. Aluízio e Luciana são mais que primos, são os meus irmãos mais velhos. Esta presença de Luciana impede-me que me despeça dela. E é isto, tenho a certeza, que marcará a presença de Luciana em Morretes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Prima, você está por aqui...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;(não revisei o texto para não corrigir sentimentos)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-1004826231061461432?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/1004826231061461432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=1004826231061461432' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/1004826231061461432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/1004826231061461432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2009/08/luciana.html' title='Luciana'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-3417898266204291200</id><published>2009-07-30T13:30:00.000-03:00</published><updated>2009-07-30T13:36:04.514-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagem de trem'/><title type='text'>Como e quando vim para São Paulo.</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CUser%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt; 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Uma segunda feira. Estava numa fila na porta do almoxarifado da “Base Aérea” do Bacacheri para entregar o fardamento e licenciar-se do serviço ativo da FAB. Havia completado o serviço militar. Chegou a minha vez e o soldado que atendia não encontrava o meu nome. Chamou o sargento, ele olhou para mim e perguntou: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 19.85pt; text-indent: -19.85pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Symbol;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7pt;"  &gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Cherobim, o que você está fazendo aqui? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 19.85pt; text-indent: -19.85pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family:Symbol;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7pt;"  &gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Dando baixa, ora, respondi. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 19.85pt; text-indent: -19.85pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family:Symbol;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7pt;"  &gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Não, você não sabe que foi transferido para o Contingente do QG em São Paulo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 19.85pt; text-indent: -19.85pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family:Symbol;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7pt;"  &gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Mas eu não quero ser transferido, quero dar baixa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 19.85pt; text-indent: -19.85pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family:Symbol;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7pt;"  &gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Ah, você agora pertence ao QG. Vá para a Companhia, volte a colocar a farda e esperar a ordem de embarcar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 19.85pt; text-indent: -19.85pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family:Symbol;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7pt;"  &gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 19.85pt; text-indent: -19.85pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family:Symbol;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7pt;"  &gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Não tive alternativa a voltar a colocar a farda, amarrotada e “retornar à vida militar”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Eu sabia da transferência. A minha idéia era vender o caminhão o meu pai e comprar um trator Caterpillar D8, o verdadeiro sonho de consumo na época em que se construíam estradas no Paraná.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Antes eu fora aprovado para fazer um curso de cabo em sistemas hidráulicos, no Parque da Aeronáutica, mas vi seu Alfredo Conforto passar na avenida defronte ao quartel e parar num restaurante enquanto esperava o avião para vir para São Paulo. Corri lá e fui passear em Morretes. Perdi o vôo e fui desligado do curso de cabo que nem começara. Consegui entrar no curso de cabos radiotelegrafistas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;No final do curso, eu, Suzuki e Gaertner fomos reprovados no exame de radiotelegrafia. Machado, Skaf e Gumercindo, que já tinham noções de telegrafia foram aprovados e promovidos a cabo. Nós, os reprovados, fomos promovidos a soldados de primeira classe, S1. E os seis transferidos para o QG em São Paulo para trabalharmos no Serviço de Proteção ao Vôo. Os cabos eram engajados por dois anos e os S1 por um ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;A nossa viagem para São Paulo foi marcada para o início de fevereiro. De trem. Uma viagem que demorava cerca de 30 hrs. De Curitiba a Itararé ia-se pela RVPSC (Rede Viação Paraná Santa Catarina). De Itararé a São Paulo, Capital, pela Sorocabana. Cerca de 30 horas de viagem. Seis “fabianos” viajando de trem. Na verdade sete.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Cigano, digo, Florival, um cabo escrevente da nossa turma, resolveu fazer turismo &lt;st1:personname productid="em São Paulo. Foi" st="on"&gt;em São Paulo. Foi&lt;/st1:personname&gt; na estação se despedir e na hora da partida resolveu embarcar e vir junto. Ele não tinha dinheiro e em passagem. A nossa passagem era uma requisição de passagem da Aernáutica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Descobrimos que Cigano havia embarcado o dia já estava claro. Resolvemos nos espalhar no trem para que o chefe de trem nunca contasse os sete juntos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Paraná e São Paulo, naquele tempo, eram dois mundos diferentes. Duas horas e tanto nos velhos DC3 de passageiros, ou na sua versão militar, o C47. Doze horas de ônibus, em estrada de terra, quando não encalhava em ter Apiaí e Guapiara, ou trinta horas ou mais horas de trem, no nosso caso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Escrevi para Aidê, minha prima, para ir com Rose, uma guria que namorei, para vê-las na estação de Palmeira. Viajar para São Paulo naquele tempo era sem expectativa de volta para passear &lt;st1:personname productid="em curto prazo. Ainda" st="on"&gt;em  curto prazo. Ainda&lt;/st1:personname&gt; mais soldados com salários de soldados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Ao chegar a Palmeira, nada das duas. Via a casa de tio Jango lá longe, a serraria de tio Chico, mas próxima da estação. O trem apitou, subi na plataforma e Palmeira foi ficando para trás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Era madrugada quando chegamos a Itararé. Mudança de administração da estrada de ferro. O chefe de trem da Sorocabana descobriu que a nossa requisição não era de passageiros, mas de carga. Queria que ficássemos ali. Negamos-nos a sair do trem. Ameaçou a chamar a polícia. Pedimos que chamasse, mas teria que se a da Aeronáutica em Curitiba ou &lt;st1:personname productid="em São Paulo. Pós" st="on"&gt;em São  Paulo. Pós&lt;/st1:personname&gt; adolescentes marrudos!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Conversa vai, conversa vem, depois de umas duas horas de atraso o chefe de trem permitiu-nos ir até a estação da Barra Funda, na época terminal de cargas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Chegamos ao QG no final da tarde. Ficava no largo Santa Ifigênia e ocupava o prédio do Hotel Regina, onde houve o famoso crime da mala. O quarto onde foi praticado o crime era o alojamento dos soldados de serviço e dos que ficavam detidos. Nas vezes que fiquei detido nunca vi fantasma nenhum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Uns vinte dias depois os três cabos (Skaf, Gumercindo e Machado) retornaram para Curitiba e levaram Cigano de volta e os três S1 (Cherobim, Suzuki e Gaertner) foram designados para trabalhar na estação principal de proteção ao vôo, em Congonhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Isto há 52 anos! Fui “mandado embora” do Paraná como carga e por aqui continuo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-3417898266204291200?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/3417898266204291200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=3417898266204291200' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/3417898266204291200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/3417898266204291200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2009/07/como-e-quando-vim-para-sao-paulo.html' title='Como e quando vim para São Paulo.'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-2661808550814088557</id><published>2009-07-27T01:07:00.001-03:00</published><updated>2011-05-04T01:54:16.425-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Xavantina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fotografia'/><title type='text'>Minha vida como fotógrafo... xereta</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Não sei se foi a primeira, mas pelo menos uma das primeiras lojas de venda a crediário em São Paulo, foram as lojas Ducal. Eram lojas que vendiam roupas feitas (outra novidade!) e também vendiam máquinas fotográficas, canetas tinteiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele tempo tinha-se que andar de paletó e gravata. Sem isto não se entrava nos cinemas. Não era de bom tom andar de paletó e sem gravata.Década de&amp;nbsp;cinqüenta, quando esta desvairada paulicéia ainda era a terra da garoa, havia a capa e o chapéu de shantung. E galocha! E o grande desejo de consumo era a Rolley. Quem não tinha dinheiro para satisfazer este desejo fotográfico ia de Beautiflex com filme 120. De longe era uma Rolley. Não era pirata, A China estava iniciando o seu &lt;i&gt;Grande Salto&lt;/i&gt; sob a liderança de Mao e pirataria, na época, era a&amp;nbsp;tripulação&amp;nbsp;dos navios corsários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação fotográfica era a Rolleyflex, quem lançou as primeiras máquinas reflex ou TLR (Twin Lenses Reflex=lentes reflexivas gêmeas. Ver &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rolleiflex"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Rolleiflex&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0ooUIriNI/AAAAAAAAABg/EbsR2mWgSQ0/s1600-h/250px-Rolleiflex_camera.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362987404333123794" src="http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0ooUIriNI/AAAAAAAAABg/EbsR2mWgSQ0/s320/250px-Rolleiflex_camera.jpg" style="cursor: hand; float: left; height: 214px; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 161px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rolleiflex"&gt;.org/wiki/Rolleiflex&lt;/a&gt;)&amp;nbsp;diminuiu a quantidade de fotografias fora de foco. Até então tínhamos que ter olhos para a distância focal, luminosidade, abertura de diafragma. O resto continuava na sensibilidade do fotógrafo, pois todos os recursos das máquinas eram mecânicos. Os filmes eram tamanho 120.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os felizes proprietários de uma Rolley puderam mais tarde adquirir uma máquina com um adaptador para filmes 35mm, antes chamados de filmes 135. Podiam usar filmes 120 e 35. O fotograma do filme 120 era 6 X 6cm e as cópias eram por contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1957 comprei uma Beautflex, lembro bem. Era uma Rolley genérica. Com filmes 120. Em 1959 eu trabalhava em Goiânia e o dono de uma loja de fotografia propôs uma troca, a minha Beaut por uma sensação do momento, recém lançada, uma Yashica 44LM. LM era fotômetro, light meter. Usava filme 127 e o fotograma 4 X 4 cm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta época os pobres mortais não conseguiam comprar filmes coloridos. Os pobres quando queriam uma foto colorida, eram fotos ampliadas coloridas, isto é, pintadas a pincel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui para Xavantina com esta minha nova aquisição; começava a ficar dependente do fotômetro, mas não confiava muito pois ele funcionava sensibilizado pela luz e nunca funcionava como queríamos. Não era depend&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0o7YSzrSI/AAAAAAAAABo/gnWMRno2C0o/s1600-h/yashica44+02.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362987731866856738" src="http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0o7YSzrSI/AAAAAAAAABo/gnWMRno2C0o/s320/yashica44+02.jpg" style="cursor: hand; float: left; height: 269px; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 241px;" /&gt;&lt;/a&gt;ência total.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0pkHOe3WI/AAAAAAAAABw/5R258N50U24/s1600-h/yashica44+01.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362988431659949410" src="http://2.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0pkHOe3WI/AAAAAAAAABw/5R258N50U24/s320/yashica44+01.jpg" style="cursor: hand; float: right; height: 282px; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 160px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em Xavantina havia uma local muito bonito, paradisíaco, com um lago onde os evangélicos de Barra do Garça, Aragarças e região realizavam os batizados. Eu me tornei o fotógrafo. Não por ser bom fotógrafo, mas por ser o único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saiu a minha transferência comprei uma copiadora e kits de revelação, lâmpada vermelha, papel, etc. O básico de um laboratório. Até então eu sabia a teoria, mas nunca havia revelado nenhum filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi tentar revelar o primeiro filme surgiu o primeiro problema: onde? Como? Não havia câmara escura e nem luz elétrica. Transformei o banheiro da estação rádio em câmara escura e ligava o grupo gerador para ter energia elétrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revelação do filme era direto na bacia, sem carretel, sem nada. No dia seguinte, com os filmes seco, fazia as cópias. Eram cópias de contato, portanto 6 X 6cm. Não tinha ampliador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A copiadora era uma caixa de metal com uma lâmpada. Sobre ela um vidro despolido e na parte superior um vidro transparente e sobre ele uma tampa. O filme era colocado sobre o vidro e sobre ele o papel sensível. Ah, um interruptor. Aí estava o segredo: Testar o tempo segundo a exposição do filme. E também de acordo com a lâmpada, 40, 60 watts, ou velas, como se dizia. Vinte, vinte e um...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a prática bastava ver o filme, sabia-se o tempo. Da mesma forma, para se fotografar, sabia-se qual era a abertura do diafragma e a sua relação com a velocidade. Ou regular a abertura no objeto. Se queríamos fundos nítidos ou sem foco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fotografia me permitia beber e comprar bala calibre 22 para tirar fundos de garrafa fazendo a bala entrar pelo gargalo sem o quebrar. A Bíblia me dava a grana para gastar em coisas anti-bíblicas.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0qHiunpDI/AAAAAAAAAB4/fiOB_8WeodM/s1600-h/minoltasrt101.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362989040337921074" src="http://1.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0qHiunpDI/AAAAAAAAAB4/fiOB_8WeodM/s320/minoltasrt101.jpg" style="cursor: hand; float: left; height: 214px; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 299px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando fui para o Xingu levei uma máquina moderna (para a época), 35mm, profissional, mas toda mecânica. Babei. No ano seguinte saí da FAB e fui para o Amazonas (início de 1973) e comprei o meu sonho de consumo: uma Minolta SRT-101. Uma máquina profissional e como todos os profissionais de en tão faziam questão que fosse mecânica. Esta tinha um fotômetro com bateria. E eu me sentia habilitado para tal pois no ano anterior fiz um curso de fotografia par antropólogos no Museu Paulista, ministrado pelo Antônio, um fotógrafo de etnologia e que trabalho com Harald Schultz, um fotógrafo que se tornou etnólogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui para o Amazonas época fértil da Zona Franca de Manaus, adquiri os acessórios que tinha direito. Uma zoom de 300mm, uma lente “olho de peixe” de 70º, uma copiadeira de slides usando o corpo e a lente da máquina. E um laboratório completo. E aqui em São Paulo era o tempo das sessões profissionais da Fotótica e da Cinótica. Trouxe do Amazonas cerca 3.000 slides.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esta máquina me acompanhou até há uns 10 anos quando me foi oferecida uma outra Minolta eletrônica,modelo 3xi Panorama, com uma lente zoom de 30omm. Foi a primeira máquina de uma mulher e ela achou que era muito complicada para o que queria. Resolver vender a máquina para adquiri uma digital. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0ulxLTYfI/AAAAAAAAACQ/_uZn4OvN8SM/s1600-h/MCh+-+090726+-003b.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362993957658911218" src="http://2.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0ulxLTYfI/AAAAAAAAACQ/_uZn4OvN8SM/s200/MCh+-+090726+-003b.jpg" style="cursor: hand; float: right; height: 214px; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 301px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tive que estudar o manual. Na mesma época adquiri uma digital da Kodak, a LS420. Custou mais caro que a Minolta. Era o início das máquinas digitais. Os primeiros pagam pela novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi este texto motivado pela notícia que a Kodak vai tirar da linha de produção o filme kodachrome. Morreu aos 79 anos. Nunca usei, mas quando um produto quase centenário deixa de ser produzido é como uma morte, mesmo para quem nunca usou. Já se prevê para as máquinas analógicas (com filmes) um futuro incerto.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0scRJypVI/AAAAAAAAACI/owdRy33Az2k/s1600-h/panasonic_lumix_dmc_lz8+01.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362991595420558674" src="http://3.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0scRJypVI/AAAAAAAAACI/owdRy33Az2k/s320/panasonic_lumix_dmc_lz8+01.jpg" style="cursor: hand; float: left; height: 320px; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje carrego uma máquina fotográfica no bolso da camisa com uma potencialidade que pouco deve às duas pesadonas analógicas. E cumpre com o objetivo: tirar fotografias a custo quase zero&lt;br /&gt;As máquinas digitais secularizaram a fotografia. Nunca se tirou tanta fotografia como hoje; quem adquire um celular recebe com ele uma máquina fotográfica e as fotografias das máquinas atuais rivalizam com as fotografias com filmes. Se bem que o princípio é o mesmo: os grãos nos filmes, os pixels nas digitais. Mas o que temos hoje resulta de um processo que vem desde as primeiras máquinas, rudimentares, mas as de negativo de vidro. E quando isto acontece, vem junto uma porcão de modificações no mercado. Muitas profissões deixam de existir e surgem outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de noventa orientei uma dissertação de mestrado que tinha como tema o fotógrafo lambe-lambe, ou fotógrafo de praça. Estes fotógrafos estavam sendo substituídos na época, por outros, com máquinas polaróides, chamadas de fotografias instantâneas. Desapareciam os arquivos de negativos dos fotógrafos onde era possível acompanhar o modo das pessoas numa determinada época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os registros desaparecerão? Hoje ao percorremos os “sites” de relacionamento deparamos com milhares de fotografias. Hoje coloridas e de melhor qualidade porque as máquinas são melhores e mais baratas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica o registro.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-2661808550814088557?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/2661808550814088557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=2661808550814088557' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2661808550814088557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2661808550814088557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2009/07/minha-vida-como-fotografo-xereta.html' title='Minha vida como fotógrafo... xereta'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/Sm0ooUIriNI/AAAAAAAAABg/EbsR2mWgSQ0/s72-c/250px-Rolleiflex_camera.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-4748354693802489677</id><published>2009-06-18T17:23:00.000-03:00</published><updated>2009-06-18T17:29:26.944-03:00</updated><title type='text'>Uma reflexão sobre educação</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Resumo biográfico de Dulce Serôa da Motta Cherobim&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma reflexão sobre educação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fui encarregado, como filho mais velho, escrever algo sobre minha mãe, Dulce Serôa da Motta Cherobim. A primeira dificuldade é a de o filho escrever sobre seus pais, dos quais se sente uma de suas projeções. Este resumo biográfico tornou-se uma reflexão sobre quem escreveu; como filho e como morretense. É difícil separar estas duas coisas. A segunda dificuldade, decorrente da primeira, é escrever suas memórias - e de memória - daquela que o gerou e o socializou. Isto é, tornou-o parte deste mundo social em que vivemos. For fim, acho que uma relação de datas não diria quem foi Dulce Serôa da Motta Cherobim, falecida há quarenta anos. Então, não só como filho, mas como cidadão, procurarei fazer o possível para que a patrona de um grupo escolar não seja simplesmente um nome, mas uma pessoa que viveu a educação e lutou por ela nesta nossa Morretes. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Dulce Serôa da Motta Cherobim nasceu em Guajuvira, município de Araucária em 16 de outubro de 1910 e faleceu em Morretes, em 06 de março de 1956. Pouco antes de completar seu quadragésimo sexto aniversário. Faleceu após sofrer, três anos antes, um derrame cerebral. Deixou-nos jovens. Duas filhas adolescentes, uma pré-adolescente e um filho que acabara de estrear sua vida adulta, o tão esperado “dezoito anos”. Dulce Serôa da Motta Cherobim, apesar de adoecer e falecer prematuramente deixou uma marca de sua vida como pessoa e como professora, lembrada quarenta anos depois de sua morte para se tornar patrona um grupo escolar. Esta homenagem, a meu ver, supera a emoção de sua passagem e ressalta a marca de sua presença entre os educadores de nossa cidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Se existir "outro lado” - como muitos acreditam existir - vejo-a encabulada com a homenagem; seu valor era uma questão de vida. Se hoje nós, seus filhos, conseguimos algo em nossas vidas devemos isto à sua retidão de caráter. Posso dizer que seus irmãos, filhos, sobrinhos, netos e bisneta, sentem-se emocionados e orgulhosos com esta homenagem.&lt;br /&gt;Mas quem foi minha mãe? Poucos morretenses atuais a conheceram. Muitos saíram e outros já não estão mais entre nós. Entre os seus últimos alunos, os mais novos são os cinqüentões de hoje. Como os mais novos não a conheceram, vou procurar fazer um breve resumo da sua história.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notas da sua história&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Dulce Serôa da Motta Cherobim era filha de Francisco Serôa da Motta Sobrinho e de Maria Carmela Sentone da Motta. Seu pai, Seu Serôa, nasceu em Mata da Vara, zona rural de Propriá, Sergipe. Ficou órfão ao nascer. Foi criado por uma tia materna até a adolescência, quando foi para Recife, viver com um seu tio, também do lado materno e de quem herdou o nome. Muito jovem sentou praça no Exército, na mesma unidade em que este seu tio (então Coronel Serôa) era comandante. Como primeiro sargento foi incorporado às tropas que se deslocaram para o Acre (Questão do Acre, conflito do Brasil com a Bolívia). Adquiriu beribéri (doença devida à carência de vitamina B1) durante a viagem. Ele e parte da tropa com a mesma doença foram levados ao Rio de Janeiro para serem tratados e à Lorena (SP), e posteriormente Piquete (SP), para convalescerem. Restabelecido, o então Sargento Serôa foi transferido para a Colônia Militar de Xanxerê, em seguida para Curitiba e depois para Foz do Iguaçu. Primeiro a aventura e depois o casamento.  No tempo em que meu avô ficou em Curitiba, conheceu Maria Carmela. A viagem de Curitiba a Foz do Iguaçu era feita com tropas de carroções até Guarapuava e daí para frente com tropa de cargueiros. Uma viagem normal demorava entre setenta e oitenta dias. A cada viagem formava-se uma tropa e os viajantes teriam que aguardar alguns meses para isto acontecesse.  &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Maria Carmela, moça prendada, uma das primeiras alunas do Instituto de Educação, filha del Signore Antonio Sentone, um napolitano que não queria saber de soldados em sua família. Seu apaixonado recebeu um ultimatum: para casar teria que sair do Exército. Saiu. Sua estadia em Foz foi marcada por trocas de cartas apaixonadas que, mais tarde, seus netos puderam deliciar-se em lê-las. De volta a Curitiba, Maria Carmela já era professora, trabalhava em sua primeira classe, num distrito do atual município de São José dos Pinhais. Depois foi transferida para Guajuvira, distrito de Araucária, casada com o agora paisano Serôa. Compraram um carroção e montaram uma fábrica de (refrigerante) gasosa naquele distrito, consumido em Curitiba. O carroção era seu meio de transporte para a família e para a carga.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Seus três filhos (Dulce, Almir e Rubens) nasceram em Guajuvira. Por volta de 1915 soube da possibilidade de se conseguir terras devolutas numa distante Morretes. Desceu a serra, e foi conversar com o encarregado do órgão que tratava dos assuntos fundiários: Seu Elesbão. Foram ver as terras. Ao subir os morros do Pitinga, mio vechio Serôa contava que encontrou, no meio da mata, uma folha de jornal com uma manchete em letras garrafais: "TEU LUGAR É AQUI". Esta manchete o fez viver o resto de sua vida no Pitinga. Minha avó assumiu uma escola do Rio Sagrado, onde lecionou até sua aposentadoria. Foi onde seus três filhos estudaram.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Dulce, minha mãe, em meia adolescência, foi mordida por um cachorro. A falta de recursos em Morretes levou-a a se tratar em Curitiba, onde ficou aos cuidados de sua tia Noêmia (Nia). O seu tratamento coincidiu com o concurso de ingresso para o curso de professoras do Instituto de Educação. Foi aprovada nas primeiras colocações e assim continuou durante todo seu curso. Após se formar conseguiu transferir-se para Morretes, por volta de 1930.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;A diretora do Grupo Escolar era Dona Maria Luiza Merkle, com quem minha mãe foi morar, pois os quinze quilômetros que separavam o Pitinga de Morretes eram, então, uma distância considerável. Casou com Guilherme, um oriundo (filho de italianos) do Central. O casamento foi em 1936, lá no Pitinga e a cerimônia religiosa foi realizada numa capelinha que, só para chegar lá, de tão alto, era uma penitência. Casou e foi morar no Central, com suoi suoceri Fiorello (seu Fante) e Luiza. Depois do nascimento de seu primeiro filho meus foram morar na rua de baixo, perto do grupo escolar (que mudou para a rua XV em 1949. O ginásio começou a funcionar em 1949, no prédio onde funcionava o grupo escolar). A segunda filha nasceu nesta casa. Em 1940 ficou pronta a casa na rua do Central, perto da ponte, hoje chamada de “a ponte velha”. Aqui nasceram as suas duas últimas filhas. Foi onde meus pais, Dulce e Guilherme, criaram os seus filhos e viveram o resto de suas vidas. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A professora&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Até 1949 o Grupo Escolar era a única possibilidade de escolaridade em Morretes. Era o curso primário com quatro anos, com a opção do quinto ano. Depois daí só em Curitiba ou em Paranaguá. Houve uma época em que foi oferecido um Curso Complementar (este era o nome), em dois anos, que permitia a continuidade aos estudos universitários. Minha mãe era professora do Grupo Escolar e foi responsável por este Curso Complementar enquanto existiu. Foi minha professora no segundo ano do primário.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;O primeiro curso primário noturno, para adultos, foi ministrado no final da Rua XV, do qual também minha mãe foi a responsável. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Sua aptidão pelo desenho levou-a lecionar esta disciplina no ginásio (quando voltei a ser seu aluno). O excesso de trabalho obrigou-a desistir destas aulas, sendo substituída pela Profª. Desauda, cujo nome é patrono de outro Grupo Escolar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A mãe que também era professora&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Morretes via Dona Dulce, a professora que sempre se destacou em seu mister. Nós, filhos, não víamos a professora, mas a mãe que também era professora. Antes de tudo era gente. Com defeitos e com virtudes. Hoje, numa análise distante, parece-me que as virtudes superavam os defeitos; as lembranças dos morretenses mais antigos são de carinho e de respeito como pessoa e como educadora. As gerações se sucedem e a nossa memória se esvai.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;As reformas educacionais transformaram a escola primária de antigamente e as quatro séries iniciais do primeiro grau como uma fase considerada de menor importância; seus professores, com salários aviltantes, têm que procurar outros meios de sobrevivência, tornando-os impossibilitados de orientar todas as suas inteligências às primeira letras. Minha mãe e tantas outras professoras contemporâneas faziam parte de uma elite intelectual que lhes permitia uma dedicação integral às suas atividades de educadoras.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Nós, como filhos, estamos agradecidos e emocionados em ver o nome de nossa mãe batizando uma escola. Mas ficaremos mais agradecidos e gratificados se pudermos aproveitar este ato como um momento de reflexão acerca da educação de primeiro grau no Brasil. Esta reflexão seria a maior e verdadeira homenagem à educadora que foi Dulce Serôa da Motta Cherobim.&lt;br /&gt;Mauro Cherobim&lt;br /&gt;S.Paulo, 12/10/96&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota Final&lt;/strong&gt;: Este texto que compartilho com vocês foi escrito em 1996 quando o nome da minha mãe foi oficializado como patrono de uma escola municipal de Morretes. Estava publicado num blog, mas fui ver, posteriormente, estava incompleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que todo filho fica orgulho quando o nome da sua mãe ou do seu pai fica eternizado como nome de uma escola. Ao escrever não pude fugir da emoção, mas o objetivo foi levar o leitor à uma reflexão sobre a educação, comparando-a ao que era meio século atrás e a educação atual. E no momento em que um dos maiores (se não o maior) conjunto universitário do mundo (as três universidades estaduais paulistas) passa por uma série crise política e educacional.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-4748354693802489677?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/4748354693802489677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=4748354693802489677' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4748354693802489677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/4748354693802489677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2009/06/uma-reflexao-sobre-educacao.html' title='Uma reflexão sobre educação'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-5543857863861407128</id><published>2009-01-19T12:37:00.000-02:00</published><updated>2009-01-19T13:51:34.340-02:00</updated><title type='text'>Algumas dicas para ajudar a escrever um projeto de pesquisa</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Mauro Cherobim&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Toda e qualquer pesquisa precisa de um planejamento. Isto quer dizer que devemos ter muito claro o que queremos pesquisar, como deveremos pesquisar e como deveremos apresentar os resultados. Quem não sabe pesquisar não saberá escrever um projeto; quem aprendeu a pesquisar e não fizer um projeto não pesquisará corretamente, não terá resultados. Não terá objetividades em seus trabalhos de pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto não significa que devamos restringir a pesquisa ao projeto. Projeto é um projeto: ali stão as linhas mestres que deveremos seguir. A explicação (análise) dos dados terá como parâmetros o projeto e os dados. As hipóteses têm esta função. Quando dizemos: os resultados das pesquisas deverão confirmar ou contrariar as hipóteses, está se fazendo exatamente isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos leva realizar uma pesquisa? Poderá ser uma curiosidade científica, pessoal, ou então estar uma teoria. O tema poderá se apresentar ao pesquisador de forma aleatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estive na Amazônia tive a atenção voltada à forma de como as idéias dos planos de desenvolvimento do governo federal chegavam até as pequenas comunidades do interior amazônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao realizar uma pesquisa eu me deparei com um problema metodológico. É muito sério o comprometimento do pesquisador com o seu objeto de pesquisa (o tema que se pesquisa). Este meu comprometimento me levou a duvidar de minhas interpretações aos dados. Resolvi, então, realizar outra pesquisa em que não houvesse este comprometimento para testar a metodologia que estava sendo utilizada e procurar desenvolver algum instrumental de controle para a objetividade das interpretações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há casos de encomenda de pesquisa. Neste caso é o cliente que traz o tema. Nas pesquisas de mercado, por exemplo, o cliente quer saber alguma opinião que lhe permita lançar um produto.&lt;br /&gt;Vê-se, por aqui, que chegamos ao tema de pesquisa pelas mais diversas formas. O tema de pesquisa é a idéia principal a ser pesquisada. E é este tema que nos vai permitir escrever o projeto de pesquisa. E, claro, determinar o formato metodológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecendo-se o tema de pesquisa precisaremos conhecê-lo em seus detalhes. O tema seria, por exemplo, o(a) &lt;em&gt;pãe&lt;/em&gt;. O(a) &lt;em&gt;pãe&lt;/em&gt; é o homem ou a mulher que cuida de seus filhos sem a presença do outro cônjuge, tornando-se pai e mãe ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a idéia principal e precisamos refletir sobre ela&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5409440220826882793#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Devemos iniciar a nossa reflexão descrevendo o papel social de pai e de mãe em nossa sociedade. E de filhos. Sobre casamentos, conflitos conjugais, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como este fato foi largamente noticiado pela imprensa, é aí que vamos encontrar grande parte das informações e poderá nos ajudar a dar os primeiros passos para definir o problema e seguir o caminho metodológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste tipo de descrição daríamos ênfase a aspectos como as famílias objeto da investigação estão organizadas e em que aspectos elas se diferenciam e se assemelham às famílias &lt;em&gt;normais&lt;/em&gt;, isto é, aquelas que têm o pai e a mãe sob o mesmo teto. Como são os papéis da mãe ou o do pai quando assumem o papel do outro cônjuge. E os filhos, como agem nestas circunstâncias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imprensa faz parte da literatura descritiva, ou seja, aquela que descreve um fenômenos sem a preocupação de análises mais acuradas, metodologicamente sustentadas. Arquivos públicos, documentos oficiais, literatura atual, etc., compõe este conjunto de documentos descritivos.&lt;br /&gt;Os documentos explicativos são aqueles oriundos de investigações sobre o tema ou temas paralelos. Os dados estatísticos do FIBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - &lt;a href="http://www.ibge.gov.br/"&gt;www.ibge.gov.br/&lt;/a&gt;) e do SEADE (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados - Seade – do Estado de São Paulo &lt;a href="http://www.seade.gov.br/"&gt;http://www.seade.gov.br/&lt;/a&gt; ) oferecem informações numéricas sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos aqui dois conjuntos de informações que nos permitem ter um quadro geral do tema a ser pesquisado. O que não basta. É necessário que se vá a campo observar este nosso objetivo de pesquisa, entrevistar pessoas envolvidas. Esta atividade é chamada por alguns autores como estudos de situação, survey por outros. Independentemente do nome é o momento em que o pesquisador toma contato com o seu objeto de pesquisa. Se não fizer isto se corre o perigo de não se encontrar o objeto de pesquisa ao se tentar iniciar a pesquisa de campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agindo desta forma conseguiremos formar um quadro do problema. Esta imagem é uma construção que pode se aproximar ou se distanciar do fato concreto que se formará objeto de pesquisa. E nos permitirá elaborar algumas hipóteses de forma que as nossas abordagens se tornem mais objetivas. Uma delas: o pai, ou a mãe, não consegue socializar eficientemente o filho do sexo contrário ao seu. Outra: o processo de socialização neste tipo de família é mais eficiente porque os filhos se tornam mais conscientes de seus papéis de gênero. Mais uma: as condições socioeconômicas das atuais sociedades de massa não são adequadas ao modelo tradicional de família. E por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas hipóteses deverão se relacionar uma com a outra permitindo um sistema de hipóteses. Deste sistema de hipóteses permitirá planejar que deverá ser pesquisado, assim como delimitar a amostra e responder questões como: (1) a coleta de dados será realizada com os pais, com as mães, com os filhos, algumas instituições etc.? (2) nas capitais ou no interior? (3) Em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Curitiba, em Belo Horizonte? Qual número de entrevistados necessários?&lt;br /&gt;Todas as pesquisas deverão ser factíveis. Para tanto o planejamento deverá considerar dois aspectos principais: o metodológico e o financeiro. Este poderá até se sobrepor ao outro. Mas há outro: condições de acesso aos pesquisados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema, os interesses metodológicos e a amostragem irão determinar quais as técnicas serão utilizadas na pesquisa. Não é um ou outro aspecto que determinará, mas uma conjunção de todos; poderemos utilizar uma ou mais técnicas. Se a amostra for grande poderemos aplicar questionários; se for pequena poderemos realizar entrevistas. Se houver uma boa visibilidade da amostra poderemos realizar observações de forma participante ou não-participante. Poderemos até coletar histórias-de-vida se isto for possível e/ou de interesse metodológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A significância da amostra será a sua relação com o universo. O universo é o todo e a amostra é uma parte deste todo que deveremos pesquisar. Nossos entrevistados deverão representar os percentuais do todo. Por exemplo: os percentuais de homens, mulheres, categorias etárias e sócio-econômicas da amostra deverão ser iguais ou aproximados de seus percentuais no universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos até este ponto, mas ainda temos muitas dúvidas a respeito de alguns poucos ou de muitos aspectos. Estaremos no caminho certo quando as nossas reflexões? Uma pesquisa piloto,ou survey, ou seja, um primeiro contato com o tema poderá resolver parte destas dúvidas e mostrar um caminho pelo qual poderemos encaminhar nossa reflexão. E indicar, também, as técnicas mais apropriadas pra a coleta de dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As hipóteses terão um papel importante, como comentei acima, para a delimitação da amostra a ser pesquisada. A sua importância vai mais além, pois mostrará quais categorias de entrevistados, ou informantes, poderão responder às nossas indagações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança social em uma pequena comunidade, por exemplo, afeta a todos os seus membros de maneira mais ou menos igual; numa sociedade de grande contingente demográfico a mudança ocorrerá de forma desigual, não alcançando, até, certos grupos. No caso dos pães parece ocorrer numa determinada faixa sócio-econômica e em sociedades urbano-industriais onde as mulheres têm acentuada participação no mercado de trabalho, dispões de alta escolaridade e são economicamente auto-suficiente. Esta proposição antes da pesquisa fará parte do rol das hipóteses e nos remeterá a pesquisar uma determinada categoria. A elaboração de um questionário (ou formulário) segue por este caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um questionário divide-se basicamente em duas partes: (1) as informações pessoais do entrevistado (sexo, idade, estado civil, nível de renda, atividade profissional, dados que indiquem situação sócio-econômica, etc.) e (2) opiniões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se pede a opinião de uma pessoa acerca de algo não significa que ela faça aquilo. Ela pode, até, pensar que faz aquilo; na maior parte das vezes de nossa vida dizemos fazer uma coisa e fazemos outra. Chamamos de comportamento ideal (&lt;em&gt;o que deve ser&lt;/em&gt;) o que dizemos fazer e de comportamento real (&lt;em&gt;o que é&lt;/em&gt;) o que fazemos. A distância ou a aproximação destes dois tipos de comportamentos indicam o ritmo de mudança em uma sociedade. Precisaremos, então, complementar uma pesquisa com a aplicação de questionários com outras técnicas, como a observação, entrevistas, histórias-de-vida, grupos de debate, etc..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resultados colhidos em questionários passarão por codificação, contagens diretas, cruzadas, etc. e, finalmente, uma análise estatística. Os resultados mostrarão um quadro geral e genérico do problema que deu motivo à pesquisa. Claro que nas pesquisas qualitativas, sem aplicação de questionários prescinde-se da análise estatística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente chega-se à parte final da pesquisa com a redação de um relatório e, por último, a interpretação final dos dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pesquisa importa em custos. Nem sempre o pesquisador tem condições de arcar com os seus custos devendo recorrer a fontes de financiamento. No caso das pesquisas acadêmicas poderá se socorrer às instituições de fomento, como a FAPESP, CNPq, Fundação Ford, etc., e nas pesquisas de mercado são os clientes que arcarão com os custos. Os recursos financeiros determinarão o “tamanho” da pesquisa, que poderá aumentar ou diminuir se os recursos forem maiores ou menores do planejado. Geralmente há diminuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As demais partes do projeto, escritas na ordem a seguir, serão as &lt;em&gt;indicações bibliográficas&lt;/em&gt;, as &lt;em&gt;conclusões&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;introdução&lt;/em&gt;. As &lt;em&gt;indicações bibliográficas&lt;/em&gt; deverão ser escritas de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) quando escritas no Brasil. As &lt;em&gt;conclusões&lt;/em&gt; são comentários finais que têm como objetivo fazer uma avaliação de pontos considerados pelo autor como fracos ou controvertidos. No caso de relatórios de pesquisa comenta os resultados, ressaltando a sua contribuição para a área de conhecimento à qual a pesquisa foi realizada. A introdução é uma apresentação do trabalho. Deve ter um caráter didático, onde se procura mostrar o que o autor pretendeu realizar no decorrer do seu trabalho e como o realizou. Por isto deverá ser escrito depois do trabalho pronto (escrito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5409440220826882793#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Este texto foi escrito no início da década de noventa quando a imprensa deu destaque à quantidade de homens e de mulheres que cuidava dos seus filhos sem a ajuda do outro cônjuge.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-5543857863861407128?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/5543857863861407128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=5543857863861407128' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/5543857863861407128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/5543857863861407128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2009/01/algumas-dicas-para-ajudar-escrever-um.html' title='Algumas dicas para ajudar a escrever um projeto de pesquisa'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5409440220826882793.post-2248650216245575339</id><published>2008-11-07T13:16:00.001-02:00</published><updated>2010-08-01T10:38:09.155-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='territorialização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sites de relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desterritorialização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vitualidade'/><title type='text'>Um primeiro olhar</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;A nossa compreensão de mundo é binária e de oposição. Oposição, neste sentido, não é de exclusão, mas de complementação. A oposição é identificadora e evitamos a ambigüidade porque buscamos o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ser&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; procurando-se evitar o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;pode ser&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;. Ser é uma utopia, um&amp;nbsp; modelo, a nossa procura; permanecemos nos limites &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;pode ser&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; na certeza que &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;somos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;A vida em sociedade, desta forma, se torna uma expectativa e não uma realidade. É ambígua de fato, mas precisa e clara nas nossas definições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Parece-me que a maior das ambigüidades é a dicotomia sagrado e o profano. Os nossos olhos estão no sagrado e os nossos pés no profano. O sagrado é o modelo e o profano é o chão onde pisamos. Vê-se o sagrado como origem e destino e o profano como o chão onde se pisa. E que não olhamos para ele porque os nossos olhos estão no modelo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Existe uma área de fronteira entre estes dois mundos ocupada por um sem número de manifestações religiosas, cada uma gerando explicações acerca do &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;pode ser&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; e do &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;deve ser&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;. Há muita demanda que varia de acordo a imposições de ordem econômica, política, pessoais que empurram as pessoas na busca de explicações para elas inexplicáveis nos seus dia a dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Se definirmos manifestação religiosa como esta busca em direção ao mundo sagrado, encontraremos nas igrejas e nos sacerdotes a interface comentada acima.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;A tecnologia, como a práxis da ciência, é uma agente poderosa com capacidade de organizar e desorganizar a esta área de fronteira entre estes dois mundos. E tem permitido a construção de novos mundos que nos permitem o papel de heróis civilizadores tal qual aquele que chamamos de Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Depararemos, aqui, com uma nova ambigüidade conhecida como mundo virtual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;O objetivo deste canto de reflexão não é o de convidar as pessoas a viver na virtualidade, mas de refletir e de entender este mundo por onde transita muita gente. Umas pessoas físicas, reais, e outras virtuais, com todas as características de pessoas físicas, mas que são emulações ou, na linguagem da informática, pessoas que são como se fossem e aceitas como tais, mas que têm as suas vidas intercaladas pelo liga/desliga dos computadores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Há uns anos participei de um livro que falava sobre namoro na Internet com um capítulo &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Sem lenço nem documento&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt; (SAMPAIO, Alice. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Amor na Internet. Quando o virtual cai na real&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;. Rio de Janeiro: Record, 2002) onde discuto questões de territorialidade e desterritorialidade e como o namoro acontece no espaço desterritorializado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Muitas aconteceram nesta década em termos de desenvolvimento de equipamentos, softwares e no rastro os sites de relacionamento que tornam as conversas, o contato mais presente, trazendo o virtual para mais perto do real ou levando o real para mais próximo do virtual. Não só nos sites de relacionamento, mas também em praticamente todos os setores da vida, até nos veículos em que a tecnologia tem substituído muitos atos que julgávamos essencialmente humano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;Não teremos aqui um &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;saco de gatos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;, mas uma gama de atos, atitudes, definições, consideradas distantes, diversas, os são partes de um conjunto muito próximas, confundindo-se uma com as outras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;As discussões estão abertas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5409440220826882793-2248650216245575339?l=mergulhandonavirtualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/feeds/2248650216245575339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5409440220826882793&amp;postID=2248650216245575339' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2248650216245575339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5409440220826882793/posts/default/2248650216245575339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mergulhandonavirtualidade.blogspot.com/2008/11/um-primeiro-olhar.html' title='Um primeiro olhar'/><author><name>Mauro Cherobim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14121635117720094046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SZgR8AZNtPM/SjqiCsYxHzI/AAAAAAAAAAM/7es164PtI3k/S220/MCh02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
